25 anos depois do atentado à AMIA, a Argentina estuda declarar o Hezbollah como organização terrorista

O governo argentino definiu nos últimos dias detalhes técnicos de um decreto presidencial destinado a criar um Registro Nacional de Pessoas e Organizações Suspeitas de terrorismo (Renapost) com o duplo propósito de dar uma satisfação à comunidade judaica antes de 18 de julho, quando se completam 25 anos do atentado à AMIA, e também de responder a uma solicitação dos EUA em favor de um compartilhamento de informações sobre a movimentação financeira de membros do Hezbollah.

Entre os detalhes técnicos que estão sendo analisados está a possibilidade de o Hezbollah ser declarado como organização terrorista. Especialistas buscam definir as bases legais para declarar como terroristas grupos como o Hezbollah e o Isis (Estado Islâmico).

A administração do presidente Mauricio Macri tem se limitado nos últimos anos a investigar apenas grupos e organizações terroristas classificados na lista das Nações Unidas e esta não inclui o Hezbollah, apontado como principal responsável pelos atentados à embaixada de Israel, em 1992, e à organização judaica AMIA, em 1994, que causou a morte de 85 pessoas e ferimentos em mais de 300.

Apenas em poucas ocasiões o governo de Macri recorreu ao decreto 918/2012, da época de Cristina Kirchner, que permite ao Poder Executivo congelar bens e valores vinculados a ações criminosas previstas no artigo 306 do Código Penal com o objetivo de proteger a integridade do sistema econômico e financeiro, assim como a paz e a segurança internacional.