“A batalha contra o antissemitismo é a mesma pelo futuro da Europa”

“Não há Europa sem judeus”, disse Frans Timmermans (foto), primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, dois anos atrás.

Infelizmente, a segunda comunidade judaica europeia, em Malmö, na Suécia, pode ser dissolvida em poucos anos. Não por escolha, não por que eles queiram se mudar para outro lugar, mas simplesmente porque temem por suas vidas e pela segurança de suas famílias.

Isso é escandaloso e deve se tornar um ultraje para todo europeu. Durante séculos, talvez até milênios, a comunidade judaica tem sido um tipo de sociedade saudável para o continente europeu.

A história mostra que, quando os judeus não se sentiam seguros e eram oprimidos, escravizados, expulsos e massacrados, geralmente eram tempos em que o continente enfrentava convulsões traumáticas e instáveis ??entre as populações.

Exemplos históricos mostram que eventos como as Cruzadas, a Reconquista, a Reforma, ou antes de cada uma das duas Guerras Mundiais do século passado, foram precedidos e acompanhados de manifestações massivas de ódio aos judeus.

Judeus foram retirados de países, vilas e cidades da Europa, seja por meio de extermínios, conversões forçadas ou expulsões. Não raro, uma mistura dos três.

Depois do Holocausto, eles ainda levaram muito tempo antes de voltar para a Europa.

E muitos pensavam que esses dias de perseguições estavam restritos ao passado.

No entanto, essa avaliação se mostrou otimista. A partir de 2016, neonazistas do Movimento de Resistência Nórdica reativaram o imaginário fascista no centro comunitário judaico da Suécia, “fazendo o lugar parecer o pós-Kristallnacht (Noite dos Cristais)”, nas palavras de um dos líderes judeus de Umea.

Agora, parece que a comunidade judaica em Malmo, a terceira maior cidade da Suécia, também está considerando emigrar por causa do antissemitismo. A maior ameaça veio dos neonazistas, em Malmö, dos imigrantes muçulmanos e da extrema esquerda.

A Europa já está sob muita instabilidade. É um continente que ainda sofre as consequências da crise financeira de 2007-8, com planos de austeridade desafiadores em todo o continente, a incerteza sobre o Brexit e a ascensão dos partidos populistas de extrema-direita e extrema esquerda.

Essa combinação de incerteza econômica e fragilidade, e o crescente populismo e nacionalismo, é sinistra para o futuro da Europa e do mundo.

Naturalmente, ninguém está afirmando que o que está ocorrendo é a repetição da década de 1930, ou que um novo Holocausto está prestes a acontecer. No entanto, a atmosfera na Europa parece trazer lembranças do passado e as preocupações com as consequências.

A grande diferença entre o passado e agora é que os países europeus são em grande parte dominados por líderes que se manifestam contra o antissemitismo e tentam tranquilizar suas comunidades judaicas.

No entanto, isso não parece estar sendo suficiente. Com base em dados recentes, a União Europeia fez uma série de críticas ao antissemitismo europeu, afirmando que os números são alarmantes e requerem uma ação em bloco e sem precedentes.

O alerta deveria significar que a luta contra o antissemitismo deve começar nas escolas, onde educamos para a tolerância. Deveria significar uma efetiva identificação, investigação e repressão aos crimes de ódio antissemitas.

Deveria significar a adoção imediata das definições da Aliança Internacional de Recordação do Holocausto (IHRA), sobre o antissemitismo, por todos os governos europeus.

Além disso, a segurança para as comunidades judaicas deve ser providenciada, sob a supervisão de autoridades que têm o dever de proteger comunidades e instituições. Esta responsabilidade básica de todos os governos não pode ser privatizada.

Estes e outros passos devem ser tomados agora. Os tempos para as discussões acabaram, e se o destino das comunidades judaicas não for suficiente para essas mudanças, então que se considere o futuro da Europa. Como afirma Timermans – e os fatos históricos assim o demonstram -, a batalha contra o antissemitismo é mesma pela segurança da alma e do futuro da Europa.