À margem da conferência, judeus rezam na única sinagoga do Golfo

Empresários, repórteres, cinco rabinos e um alto funcionário da Casa Branca realizaram, nesta quarta-feira pela manhã, raras preces matinais na única sinagoga do Golfo, às margens de uma conferência de paz realizada no pequeno reino do Bahrein que já abrigou uma próspera comunidade judaica.

O raro serviço foi organizado por um correspondente do Times de Israel, com a ajuda da diplomata judia Houda Nonoo e com a aprovação das autoridades em Manama. Houda Nonoo, que serviu como embaixadora dos EUA no Bahrein de 2008 a 2013, disse ter ficado emocionada com o evento. “Foi um momento histórico”, disse ela. “Fiquei muito comovida.

Pela primeira vez em minha vida, vi um culto de oração com minyan na minha sinagoga”, disse Nonoo referindo-se ao quórum necessário de dez homens para um serviço judaico completo.

O rabino Marvin Hier, do Centro Simon Wiesenthal, liderou as orações na sinagoga e, ao final, os presentes cantaram “Am Yisrael Chai” – “O povo de Israel vive”.

“Fiquei muito comovido com a participação de judeus de diferentes países, reunidos em uma sinagoga que não via um minyan em quase 75 anos e cantando juntos Am Yisrael Chai”, disse o empresário canadense Mayer Gniwish, que também é rabino.

As orações não costumam acontecer regularmente na sinagoga, que geralmente é aberta apenas uma vez por ano.

Entre os presentes estavam Jason Greenblatt, conselheiro especial do presidente dos EUA, Donald Trump, para o Oriente Médio; o ativista inter-religioso Rabino Marc Schneier; Erudito do Oriente Médio David Makovsky; Chefe da sucursal do New York Times em Jerusalém, David Halbfinger; e um grupo de empresários israelenses e repórteres que participam da conferência.

Greenblatt escreveu no Twitter que ele orou por sua família e pela paz. “Este é um exemplo do futuro que podemos construir juntos”, escreveu ele.

“Esse é o segredo do povo judeu – sempre que você entra em uma sinagoga, onde quer que esteja no mundo, você se sente em casa”, disse o rabino Abraham Cooper, também do Centro Wiesenthal.

A sinagoga de Manama foi construída nos anos 1930. Foi saqueada em 1947, na sequência do Plano de Partilha das Nações Unidas, que aprovou a criação de um Estado judeu e outro palestino dentro da Palestina Britânica – o projeto foi rejeitado pelos palestinos.

A sinagoga, localizada na Avenida Sasaah, em Manama, foi reformada em 1997 e costuma reunir 34 membros da comunidade. Antes de 1947, a comunidade contava com 1.500 judeus, a maioria de origem iraquiana.

Não há serviços regulares na sinagoga, mas o Bahrein tem a única comunidade judaica no Golfo. Há dez anos, a Sinagoga de Dubai começou a funcionar como a única instituição da comunidade judaica dos Emirados, acolhendo veteranos e residentes temporários, bem como aqueles em visitas de negócios e lazer.