A renascente comunidade judaica na Nigéria

A editora Menorah, fundada há 59 anos, é a única empresa jornalística judaica que tem um arquivo contendo mais de 198 comunidades judaicas visitadas, em mais de 70 países.

Foi pensando em conhecer cada vez mais comunidades judaicas ao redor do mundo, seus costumes e histórias, que Ronaldo Gomlevsky, dirigente da Menorah desde 2000, faz estudos e expedições anualmente, conhecendo uma nova comunidade. Em suas viagens, Ronaldo registra por meio de entrevistas, fotos e vídeos como esses grupos, às vezes em locais onde nunca se soube da existência da religião judaica, mantém a sua crença religiosa. A mais nova descoberta foi na Nigéria, conhecendo os Igbo.

A partir da viagem de 15 dias convivendo com a comunidade nigeriana, o jornalista criou o documentário “Os judeus da Nigéria” (confira aqui o trailer), no qual ele desvenda como essa comunidade foi criada, há 2000 anos, na saída do povo hebreu da Terra Santa. Na época, o povo se refugiou em várias partes da Europa e África, espalhando a religião em algumas regiões inusitadas.

Entre os Igbo, a religião judaica sumiu ao passar dos séculos, e com o tempo começaram a seguir a Omenana, uma prática de vida que se identifica pela forma com que Deus ditou a Moisés o estabelecimento da religião hebreia, e é chamada de a religião da Torá. O nome dos Igbo vem dos colonizadores britânicos na Nigéria, que os chamavam do povo “hebrew”, batizados localmente de “igbo”.

Desde a instalação do povo Omenana na África, há cerca de 26 séculos, eles seguem tradições de sua religião que se assemelham muito com o judaísmo e, em sua tradição oral, sempre disseram que a origem do povo é Israel. Esses fatos fizeram com que, no século passado, alguns membros da comunidade, fossem atrás da história completa da comunidade.

Remy Iona, advogado e um dos entrevistados pelo jornalista Ronaldo Gomlevsky, conta que saiu da Nigéria para estudar mais sobre o seu povo e em suas pesquisas descobriu que “Omenana é a cultura sobrevivente mais antiga de Israel e que a melhor ferramenta para entender a Bíblia hebraica, é lê-la lado a lado, estudando profundamente a Omenana”.

Nos últimos 200 anos, os Igbo, e todos da região, foram convertidos ao cristianismo por missionários britânicos. Mas, no início do século 21, junto com as pesquisas realizadas pelos curiosos da comunidade para entender melhor sua história, os Igbo começaram a receber visitas de rabinos de instituições israelenses e americanas, que lhes contaram e ensinaram sobre a religião. Nessa época, eles dizem, se deu o início do processo da teshuvá (retorno ao judaísmo) para os Igbo. As comunidades receberam doações de livros de reza, tefilin, talit e da Torá.

A Menorah visitou diversas comunidades judaicas na Nigéria e observou o amor de todos em retornar à religião judaica e o esforço para aprender cada vez mais e levar a religião adiante. Como disse Ronaldo Gomlevsky: “o judaísmo nigeriano é paradoxal. Ao mesmo tempo idoso e absolutamente recém-nascido”. Das sinagogas mais modestas, quase vazias, até as mais desenvolvidas, em cidades maiores, a história dos Igbo é uma que vale a pena conhecer.

O documentário produzido pela Menorah “Judeus da Nigéria”, será exibido em Porto Alegre, no dia 13 de agosto. Mais informações podem ser encontradas no Portal Menorah.