Alemanha irá recompensar crianças que fugiram do nazismo

O governo alemão irá compensar as crianças, a maioria judias, que foram retiradas da Alemanha nazista ainda crianças. A maioria nunca voltou a ver os pais, afirma a organização que negociou o pagamento nesta segunda-feira (17).

A Conferência sobre Demandas Materiais Judaicas contra a Alemanha, baseada em Nova York, disse que o governo alemão concordou em pagar 2.500 euros (cerca de R$ 11 mil) para todos os remanescentes entre as 10 mil pessoas que fugiram nos chamados “Kindertransport”.

O ano de 2018 marca o 80° aniversário do início do transporte de crianças da Alemanha para o Reino Unido e outros países da Europa.

Acredita-se que cerca de mil dessas crianças estejam vivas hoje, metade vivendo no Reino Unido.

O pagamento é visto como um “reconhecimento simbólico de seu sofrimento”, afirmou o negociador da conferência, Greg Schneider.

“Em quase todos os casos, os pais que ficaram para trás foram mortos em campos de concentração no Holocausto, e eles têm questões psicológicas tremendas”, afirmou.

Após a Kristallnacht, ou Noite dos Cristais, massacre de judeus ao redor da Alemanha em novembro de 1938, o governo britânico concordou em permitir a entrada um número inespecífico de crianças judias vindas da Alemanha ou dos territórios anexados pelo nazismo.

Grupos judaicos dentro da Alemanha organizaram o transporte.

O primeiro chegou a Harwich em 2 de dezembro de 1938, segundo o Museu Memorial do Holocausto dos EUA.

O último transporte deixou a Alemanha em 1ºde setembro de 1939  — o dia em que a Segunda Guerra começou, com a invasão alemã da Polônia. O último transporte da Europa deixou a Holanda em 14 de maio de 1940, mesmo dia em que as forças holandesas se renderam aos nazistas.

Estima-se que 10 mil crianças da Alemanha, da Áustria, da Tchecoslováquia e da Polônia foram levadas para o Reino Unido, cerca de 7.500 delas, judias. Metade foi abrigada com famílias locais, enquanto outras ficaram em escolas ou fazendas.

Muitas foram realocadas para os EUA, Israel, Canadá, Austrália e outros países.

Os sobreviventes estão hoje na faixa dos 80 anos de idade e continuam a relembrar sua fuga como um momento definidor de suas vidas, quando foram colocados em trens sem saber o destino, dizendo adeus a seus pais e irmãos pela última vez, disse Schneider.

“Essa soma é um reconhecimento de que isso foi algo horrível e traumático que aconteceu com eles”, afirmou.

Desde 1952, o governo alemão pagou mais de US$ 80 bilhões (R$ 313 bilhões)a indivíduos pelo sofrimento e pelas perdas resultantes da perseguição pelos nazistas (Folha de S.Paulo).