“AMIA: 25 anos de impunidade”

De acordo com as investigações levadas a cabo pelo governo argentino ao longo dos anos e, em especial, pelo trabalho desenvolvido pelo promotor Alberto Nisman, no dia 16 de agosto de 1993, às 16h30min, na cidade de Meshed, “capital espiritual do Irã”, foi realizada a reunião do Conselho de Segurança do país. Na ocasião, foi tomada a decisão de realizar o atentado terrorista à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), com a explosão de um carro-bomba. Trata-se do maior ataque cometido contra a comunidade judaica na América Latina.

A reunião foi presidida por Ali Khamenei, atual líder supremo do país, e contou com a presença do então presidente Alí Akbar Rafsanjani, do ministro de Relações Exteriores, Alí Velayati, do chefe de Inteligência e Segurança, Mohamed Hijazi, e do ministro da Informação, Alí Fallahjian. A proposta do ataque foi feita pelo coronel Ahmad Vahidi, então ministro da Defesa, após a exposição de Ahmad Reza Asghari e Moshen Rabbani, que detalharam as condições do atentado.

Foi um membro do Hezbollah, Ibrahim Hussein, que, ingressando pela Tríplice Fronteira, com o apoio de uma célula local da organização terrorista, executou o ataque. Passados 25 anos, sabemos como foi planejado e executado o ataque. Sabemos quem estava envolvido e há provas acerca da materialidade do crime; da participação dos mentores intelectuais mencionados; da participação direta do Irã no ataque, por meio do seu aliado Hezbollah. Entretanto, ainda não temos o principal: justiça.

Temos o dever de construir uma América Latina cada vez mais plural, aberta e que respeite os direitos humanos e os valores democráticos. Mas isso só poderá ser atingido se obtivermos justiça. Neste 18 de julho, quando completamos um quarto de século do brutal atentado em Buenos Aires, que ceifou a vida de 85 pessoas e feriu centenas, sabemos qual a melhor homenagem às vítimas: a punição dos responsáveis.

Um caso dessa magnitude ainda não resolvido só alimenta a angústia de que o tempo passa e não temos a mínima sensação de vontade política para buscar soluções. Poucas situações são tão ameaçadoras para uma democracia quanto a sensação coletiva de impunidade. O terrorismo é um inimigo que não respeita fronteiras e ele continua próximo de nós.

Sebastian Watenberg é presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, membro do Jewish Diplomatic Corps dos WJC.