Vejam só quem veio para o funeral
Uma coisa estranha aconteceu no funeral de Imad Mughniyeh. Aqueles que por anos sempre negaram qualquer conexão com o mesmo e com suas atividades terroristas pelo mundo – Irã, Síria e o Hezbollah – subitamente admitiram que Mughniyeh era uma de suas pessoas favoritas. Ao mesmo tempo, outros pontos críticos surgiram e ficou evidente a posição vital de Mughniyeh como a conexão entre estes três aliados nas suas condutas de terrorismo e subersões. Além disso, a carreira de Mughniyeh como terrorista internacional que frequëntemente atuava contra alvos ocidentais, mostrou como o Hezbollah, em conjunto com seus simpatizantes em Teerã e Damasco – ficaram em segundo somente para a Al-Qaeda em termos de atividades terroristas no mundo.

Vamos primeiramente recapitular a extensa folha corrida deste elemento a quem o Irã, Síria e o Hezbollah tanto elogiavam e estão tão dispostos a vingar. Mughniyeh, um cidadão libanês, primeiro trabalhou com a OLP e então com o Hezbollah, liderando as principais e mais recentes atividades terroristas do grupo. Durante os anos 80, Mughniyeh esteve envolvido com a morte de 340 soldados Americanos e Franceses no bombardeio de uma base de força de paz; 63 civis no bombardeio da embaixada dos EUA em Beirute; seqüestros e execuções de ocidentais que viviam no Líbano; ataque à embaixada dos EUA no Kweit; seqüestro de um avião comercial norte-americano onde um civil americano foi assassinado; assassinato de dois oficiais dos EUA no Líbano e finalmente o seqüestro de dois aviões de passageiros da Kweit Airlines.

Em 1994 ele coordenou o bombardeio de um Centro Comunitário Judaico na Argentina, matando 86 civis. A investigação oficial argentina concluiu que a inteligência iraniana havia contratado Mughniyeh e seu destacamento para este trabalho. Como resultado de suas atividades, Mughniyeh figurava na lista dos EUA dos top-10 terroristas mais procurados, com uma recompensa de $25 milhões por sua cabeça. A Interpol possuía uma ordem de extradição contra ele por conta do ataque na Argentina. Mas se deslocando entre o Líbano, Irã e Síria, protegido e trabalhando para estes países, Mughniyeh continuou sua carreira de violêncoa até o dia de sua morte. Com exceção dos ataques de 11 de Setembro, Mughniyeh foi provavelmente o responsável direto por mais ataques terroristas e mortes do que qualquer outro indivíduo nos últimos 25 anos.

E como os líderes iranianos responderam ao seu fim? Todos os elogios à ele. O Líder Supremo Ali Khamenei o considerou “um exemplo para que a nova geração siga.” O poderoso ex-presidente e atual Presidente do Conselho Expediente Akbar Hashemi Rafsanjani referiu-se a Mughniyeh como uma “grande personalidade” cujas as ações o Irã não considerou terroristas. O Presidente Iraniano Mahmoud Ahmadinijad o elogiou como um “indiscutível líder do Hezbollah,” embora a organização negasse até a sua morte que Mughniyeh ocupava tal posição.

O próprio líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, usou em seu funeral a retórica ameaçadora de exterminar Israel, seguindo a mesma linha de muitos líderes iranianos. Se o Irã obtiver armas nucleares, esta ameça se torna mais plausível. Mas o Hezbollah espera alcançar os mesmos objetivos através da violência de baixo nível. Nasrallah declarou “guerra total” contra Israel e anunciou que lançaria ataques em qualquer parte do mundo, presumidamente contra qualquer um que estivesse no caminho de seu sonho de destruição.

Enquanto que a Síria, onde Mughniyeh diversas vezes recebeu ajuda e um porto seguro, estava sob forte proteção em uma área de segurança máxima sob controle do governo. Uma estação de TV iraniana relatou que Mughniyeh foi morto próximo a uma base de inteligência síria no momento em que acontecia uma importante reunião de grupos palestinos, incluido o líder do Hamas Khalad Mishal, que está com sua base em Damasco. Dois importantes jornais árabes afirmaram que Mughniyeh era convidado de importantes líderes sírios e que o mesmo estava se reunindo com eles e os líderes do Hamas para planejar mais ataques sangrentos, sua especialidade.

A vingança também foi ameaça por grupos pró-Mughniyeh como o Hamas e as forças Muqtada Sadr no Iraque. Nem todos os árabes reagiram desta forma. No Kuweit, por exemplo, foi mencionado que Mughniyeh havia participado do assassinato de muitos árabes e islâmicos no Kweit, Líbano e Iraque. Um jornal libanês apoiado pela Síria e o Hezbollah percebeu que a morte de Mughniyeh foi o golpe mais duro contra o Hezbollah em todos os tempos. Ironicamente, entretanto, no passado muitos se recusavam a considerar o Hezbollah uma organização terrorista – incluindo a UE – porque afirmavam que não havia provas suficientes que justificassem um envolvimento.

Um especialista no Hezbollah, Magnus Ranstorp, respondeu que muitos “haviam deixado ser enganados” a respeito do uso de terrorismo internacional por parte do Hezbollah e sua organização por parte do Irã e Síria. “E portanto o Hezbollah teve a sua ajuda garantida e a aproveitou” pois poderia executar ações terroristas sem qualquer reprimenda ou punição internacional.

Quando o Irã, a Síria e o Hezbollah consideram este tipo de pessoa um herói e um modelo a ser seguido, estão:
- Admitindo abertamente sua associanção com atos terroristas no passado;
- Deixando claro que favorecem ataques assassinos deliberadamente elaborados para matar civis;
- Mostrando que mentiram a negar o seu envolvimento no passado;
- Impelindo pessoas a cometer muito mais ataques no futuro, incluindo o genocídio contra Israel e seu povo.

Agora que o Hezbollah, Irã, e Síria pagaram o preço pelas matanças passadas Mughniyeh e pediram muitas mais no futuro, o mundo deve confronter o fato que estes grupos estão angajados em uma política sistemática terrorista e estão reagindo de acordo.

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Barry Rubin é diretor do Centro de Pesquisas Globais em Assuntos Exteriores (GLORIA) http://www.gloriacenter.org e editor to Middle East Review of International Affairs Journal http://meria.idc.ac.il. Seus Livros mais recentes são A Verdade a Respeito da Síria - The Truth About Syria (Palgrave-Macmillan) e A Longa Guerra pela Liberdade: A Luta Árabe pela Democracia no Oriente Médio - The Long War for Freedom: The Arab Struggle for Democracy in the Middle East (Wiley).

Fonte: Embaixada de Israel
http://brasilia.mfa.gov.il