Um professor para a vida
fonte: "Yediot Negat" (Boletim do Comitê Diretor do Judaísmo Etíope no Ministério da Educação de Israel) e Boletim Keren Hayesod


Um professor bom, dedicado e sensível é um talento inato, que deixa em nós marcas para toda a vida. Um bom professor pode fazer o aluno recuperar sua auto-confiança, sua curiosidade e seu desejo de aprender, bem como o prazer de viver. Quando entramos na turma de inglês de Baruk Balai, na Escola Primária Hadassim, em Yokneam, sentimos vontade de ser seus alunos, de aprender com sua personalidade, sua amabilidade e sua maneira de ensinar, explicando tudo com paciência e estimulando os alunos. A atmosfera era de calma e liberdade. Os alunos trabalhavam em pequenos grupos e Baruk – um homem alto, agradável e marcante – movia-se entre os grupos, relacionando-se individualmente com cada um dos alunos. Todos trabalhavam em silêncio e diligentemente, sem fazer barulho, sem gritarias, mas com muita alegria e seriedade. A aula foi variada. Após o trabalho individual, a turma trabalhou em grupo, com um gravador, cantando, ouvindo e jogando. Apesar da atmosfera de prazer e tranqüilidade, a ordem prevalecia na sala de aula. Para Baruk não há meio termo, e sua autoridade é agradável e muito transparente, ao mesmo tempo. A sala onde ele ensina inglês é bem arrumada, cheia de desenhos, cores e frases em inglês. Sem dúvida, um lugar atraente onde se estudar.

Baruk Balai, qual o segredo de seu sucesso?

“O inglês é um idioma internacional e os alunos têm que investir em seu aprendizado. Eles estão expostos à televisão e ao computador e sabem, perfeitamente, qual a importância do inglês. Sou muito exigente e recebo o troco por essa exigência. Ensino-os a terem disciplina e a levarem os estudos a sério. Trato cada criança como se fosse meu filho. Eles recebem esse calor humano de minha parte e sou muito franco com eles. Falamos sobre todos os seus problemas. Por isso, vêm felizes para a minha aula de inglês. Trabalho com cada criança em seus projetos individuais, adaptados a seu nível. Quero estimular cada um deles a estudar e a ter sucesso na vida, de acordo com suas próprias habilidades.

“Na minha opinião, se alguém é curioso e tem vontade de aprender, não há razão para não dar certo. Eu os estimulo a ler, ler bastante. Uma vez por semana, trabalho como voluntário na biblioteca municipal, como forma de estimular os alunos a irem à biblioteca e a ler livros em inglês. Eu os animo a conversar em inglês, na sala de aula, e a ouvir o noticiário nesse idioma”. “Já ensino inglês, em Israel, desde 1986. São 22 anos. É o meu oitavo ano na Hadassim, aqui em Yokneam. A diretora, Shifra, é fantástica. Ela se relaciona muito intimamente com a nossa comunidade e compreende as dificuldades dos imigrantes, tendo muito sensibilidade frente a suas necessidades. Ela teve um papel importante no meu sucesso. Ela apóia e fornece recursos para promover o estudo do inglês, na escola. Toda a equipe é como uma grande família – todos se ajudam, uns aos outros”.

Só estudar, não basta...

Baruk nasceu em um vilarejo, perto de Gondar. Aos 12 anos de idade, pediu ao pai que o pusesse no colégio. Diariamente ele ia correndo, descalço, para a escola, que ficava a 10 km de distância. Corria junto com um primo e o trajeto levava uma hora e meia, em cada sentido. No inverno, não havia aulas, porque fazia muito frio. Não pediam sapatos aos pais, pois sabiam muito bem quão escassos eram os recursos familiares. Depois, eles se mudaram para Gondar, onde ele terminou o ginasial e o seminário para professores. Continuou a estudar para ser professor e diretor de escola. Emigrou com a família para Israel, em novembro de 1984, dizendo que pretendia estudar nos EUA. Mas se integrou muito bem, em Israel. Desde o princípio, ele se concentrou em estudar hebraico e em aprender a metodologia didática usada em Israel.

Estudou hebraico no Ulpan de Alta Nazaré e, na época da Operação Moisés, quis trabalhar com os novos imigrantes. Estudava de dia e trabalhava de noite. Após terminar o Ulpan, cursou o seminário de treinamento para professores, durante seis meses, e, no verão seguinte, estudou na Universidade de Tel Aviv, onde recebeu o certificado de professor de inglês. Mas, ainda não estava satisfeito. Entrou para o Colégio Oranim, onde se qualificou como professor sênior, em 1966. Continuou a estudar, desta vez junto com a mulher, e ambos tiraram o título de bacharel. Não é nada fácil trabalhar, estudar e criar quatro filhos de maneira exemplar, tudo ao mesmo tempo! Em um dos verões passados, ele foi à Inglaterra para um seminário de professores; e tem planos de continuar a estudar, sempre que puder.

Como você se sente, em Israel?

“Adoro estudar. Nossos filhos nos estimulam a seguir estudando e nós somos um exemplo para eles. Os pais têm responsabilidade sobre o futuro de seus filhos. Eles devem estimulá-los, falar com eles. Do contrário, os filhos ficam fechados dentro de si próprios; chegam em casa, jogam a mochila num canto e não fazem os deveres de casa”. Cabe aos pais monitorar os filhos de perto, mostrando-lhes quem está no comando. Porque, sem instrução, não há futuro. Todos precisam usar sua energia, vontade, perseverança, diligência e curiosidade, para poder aprender. “Estou feliz de estar em Israel. Sinto que pertenço a Israel. Não é fácil ser judeu na Etiópia”.

Um impacto sobre toda a escola...

Shifra, diretora da escola, diz: “Baruk é um professor dedicado e sensível. Investe muitas horas e muito amor em seus alunos. Ele os respeita muito e conquistou um enorme respeito e admiração de todos os alunos e também dos pais”. Baruk causa um impacto sobre toda a escola. Serve de exemplo para as crianças da comunidade e os demais. Ele contribui para a franqueza de seus alunos, seja com a equipe seja com os pais – e os ensina a aceitar as pessoas das diferentes culturas, de diferentes cores de pele. Gostaria muito de ter outros professores como ele”...

Rachel Almihu-Shimon, diretora do centro de integração de professores nas escolas comunitárias, afirma: “Baruk é um ótimo exemplo da importância de se absorver os professores etíopes no sistema educacional. O centro, juntamente com o departamento de imigrantes no Ministério de Educação, se empenha em absorver o maior número de professores dessa comunidade, integrando-os nas escolas do país”. “Uma professor da comunidade trabalhando na escola pode ter um impacto muito significativo sobre seus alunos, bem como nos demais professores e pais. Isto os ajuda a aprender a história e a cultura dos judeus etíopes. Esse professor pode causar mudanças na atitude e na opinião dos membros da equipe, nos alunos e nos pais da escola, bem como nos inspetores educacionais”.

O Dr. Michael Cohen, diretor do departamento de professores imigrantes, declara: “O Ministro da Educação, Prof. Yuli Tamir, emitiu um projeto de lei, no ano passado, conclamando a que todos não poupassem esforços para absorver os professores nascidos na Etiópia no sistema educacional. Hoje há cerca de 160 professores vindos da comunidade, alguns que trabalham como professores, outros ocupando outros cargos na hierarquia escolar, enquanto outros ajudam os alunos etíopes nas classe de reforço escolar e pessoal, do qual tanto necessitam”.