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| Israel 60 anos |
| É com muita honra e satisfação que me encontro nesta casa, em um país livre e democrático, legitimando o conceito de pluralidade que rege sociedade brasileira, representando a comunidade judaica, um dos segmentos que a congrega.
Inicialmente gostaria de agradecer à Câmara Federal pela homenagem que presta, no dia de hoje, ao sexagésimo quarto aniversário da Partilha da Palestina, na pessoa de seu presidente, Deputado Arlindo Chinaglia e aos demais parlamentares componentes desta plenária, em especial o deputado Ibsen Pinheiro, autor da proposta desta sessão. A união tem-nos feito sobreviver através dos tempos, se não fosse ela, talvez ainda fossemos mão de obra escrava no Egito, teríamos sucumbido às espadas dos cruzados ou nas fogueiras da inquisição. Este sentimento aliado a nossa fé nos mantiveram vivos frente às atrocidades cometidas na Europa, onde o homem mostrou sua mais brutal e verdadeira face: o prazer da dor, do sofrimento e da morte de seus iguais, baseados em ideologias xenófobas e fascistas. Nossa perseverança permitiu que transformássemos um sonho em um país, permitindo que o Estado de Israel agrupasse os judeus em torno de uma bandeira e não de um túmulo. Os 60 anos da Resolução 181 trazem de volta uma figura singular da política brasileira. Em 1947, Oswaldo Aranha já dispunha de uma biografia de estadista: fora um dos articuladores da Revolução de 30; ministro da Justiça (quando criou a OAB e reformulou o Supremo); ministro da Fazenda e negociador da dívida externa no governo provisório; embaixador nos EUA de 1934 a 37, deixando o cargo por rejeitar o Estado Novo; voltou ao governo no ano seguinte como chanceler; foi atacado por Goebbels, chefe da propaganda nazista e construiu a posição brasileira na 2ª Guerra em favor dos aliados. Em 29 de novembro daquele ano, Aranha presidiu a 49ª Sessão da 2ª Assembléia-Geral da ONU, quando a partilha da Palestina foi aprovada com o seguinte placar: 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. Foi o fim de um processo febril de negociações. E o começo de uma era sem fim de confrontos. O projeto sionista de uma pátria para os judeus ganharia ali legitimidade internacional, o que levou à criação do Estado de Israel no ano seguinte. Mesmo nunca tendo conhecido a Terra Santa, a presença de Aranha neste processo foi determinante e sua coragem invejável, o que não é de se admirar, afinal esse homem presidiu a assembléia geral da ONU num tempo de paz incerta e homens incomuns como Churchill, Stalin, Ben Gurion, Trumann. Um homem inteligente, culto, ótimo interlocutor, um brasileiro que tem seu valor reconhecido e é nome de ruas avenidas não só no Brasil, mas também em Israel. Através das mãos deste gaúcho, foi devolvida a dignidade ao Povo Judeu. Israel se transformou em realidade política. Se outrora os problemas eram: como transformar desertos e pântanos em terrenos produzíveis e habitáveis; hoje os desafios, apesar de distintos, não são menos duros e complexos. Segundo o judaísmo, cada indivíduo é responsável por suas próprias ações. Cada pessoa é um mundo em si mesmo dentro de um universo maior, ao mesmo tempo, como em um paradoxo, o judeu tem como missão fazer parte da comunidade e afirmar a aptidão em existir, representando seu papel e suas responsabilidades em sua própria geração. Desta forma continuamos, estamos presentes e temos a nossa voz que nunca calará enquanto houver injustiça no mundo, pois esta é nossa essência. O Estado de Israel surge como a ligação com sua terra ancestral, mas além disto como um centro espiritual de sua nação, o solo para o cultivo de sua cultura, o campo nacional para suas obras o ponto de referência para os judeus da diáspora que se baseiam na vitalidade das raízes de sua própria terra. Apesar disto, qualquer um dos israelenses, representados aqui pela Embaixadora Tzipora Rimon, mesmo o maior amante da paz, tem vivido a maior parte da sua vida envolvido em guerras, e isto, pelo simples fato de existir. A única democracia do Oriente Médio, que preserva o direito de árabes e judeus que vivem em seu solo, representa, na visão dos grupos ou governos teocráticos e autoritários da região, uma ameaça ao seu status quo e seus códigos sociais que procuram massificar e suprimir a individualidade de seu povo, a fim de manter-se no poder. Como brasileiros nos preocupamos ainda com relativização da verdade, com as manifestações de intolerância e a linguagem agressiva, em relação à Israel e à comunidade judaica, utilizada por grupos que se aproveitam do momento para externar idéias maniqueístas e trazer ao seio da nossa sociedade mensagens de ódio e segregação, tentando alimentar a chama nefasta do Anti-semitismo. Faço aqui, portanto, um chamado à todos os homens de bem, comprometidos com os valores humanistas e sociais, para que juntos levantemos nossa voz contra a xenofobia e o racismo, de qualquer forma expressos, atentando para que estas idéias não semeiem o coração da nossa sociedade. Devemos como líderes dar o exemplo, enriquecer-nos com as nossas diferenças, pois este é o caminho de uma convivência harmoniosa entre as nações do mundo, colocando as armas de lado e resolvendo os problemas em mesas de negociações. Celebramos juntos, neste momento, a reconstrução de um estado, ainda jovem, mas que representa a força de um sonho, a perseverança de um povo, a demonstração de que a democracia só pode ser construída sobre os alicerces de uma estruturada base ética e na crença em seus valores. Que esta seja a mensagem da qual somos transmissores e por este motivo agradeço a presença de todos neste momento em que judeus comemoram sua autodeterminação, sem perder, jamais, a fé e a esperança pela Paz. Obrigado Henry Chmelnistky Presidente da FIRGS - - - - - - - - - - - - - Fonte: FIRGS |