Annapolis: Um Novo Começo para a Paz - por Tzipora Rimon
Sessenta anos se passaram desde que a sessão das Nações Unidas presidida pelo estadista brasileiro Oswaldo Aranha decidiu resolver o conflito árabe-israelense ao criar duas dois estados para dois povos. A falha em se alcançar esta solução de dois estados resultou em décadas de sofrimento para os dois povos, ainda que justiça e imparcialidade desta solução permaneçam válidas. A solução de dois estados é o melhor caminho para israelenses e palestinos para se estabelecer a paz e segurança interna e recíproca. A futura conferência de Annapolis (EUA) tem como objetivo restaurar os esforços para o processo de paz. É um novo começo para um processo que se arrasta há muito tempo.

Enquanto não há questões fundamentais ou prazos a serem negociados em Annapolis, o compromisso fundamental para uma solução pacífica será re-estabelecido. Este evento será seguido de conversas intensivas a respeito de todos os assuntos em destaque, com a meta de finalmente se colocar um fim ao sofrimento mútuo e trazer o início de uma era de construção mútua. Neste sentido é bom relembrar a visão de "dois estados para dois povos" - uma nova realidade entre Israel e palestinos na qual as duas nações-estados co-existirão em paz e segurança. Assim como Israel é a terra natal do povo Judeu, a Palestina será estabelecida como a terra natal e incorporação das aspirações nacionais do povo palestino - onde quer que estejam.

A responsabilidade de resolver a questão israelense-palestina está com as partes e os compromissos que devem ser feitos nas negociações vindouras serão complexos e desafiadores. Muitas questões complexas essenciais devem ser debatidas e ao mesmo tempo, a situação atual não pode ser ignorada. Por este motivo, enquanto as negociações a respeito do formato da solução de dois estados avançam, a verdadeira implementação da visão permanece dependente do cumprimento do Mapa de Caminho como aceito pelos dois lados. Na primeira fase do documento, a Autoridade Palestina se obriga a cessar atividades terroristas contra Israel em qualquer lugar. O mundo não precisa de outro estado terrorista. Por este motivo, os compromissos da Autoridade Palestina com o Mapa de Caminho devem ser completados antes do estabelecimento do Estado Palestino - especialmente aqueles relacionados à questões de segurança.

Israel, por sua parte, também mostrou sua prontidão em atender suas obrigações no Mapa de Caminho e implementou um número de medidas para apoiar o processo. Além de ordenar a pausa em toda atividade de construção de assentamentos e remover postos ilegais, Israel libertou cerca de 800 presos palestinos envolvidos em terrorismo, concedeu anistia a 170 terroristas procurados do Movimento Fatah após que os mesmos renunciassem a violência, removeu 25 bloqueios de estrada e checkpoints (barreiras de checagem) na Cisjordânia, transferiu para a Autoridade Palestina cerca de US$ 250 milhões em impostos e arrecadações, uniu-se a parceiros internacionais para promover projetos de desenvolvimento da infraestrutura palestina e reconvocou diversos Comitês Bilaterais estabelecidos no Acordo de Oslo - tudo para atender as necessidades da Autoridade Palestina.

Enquanto a responsabilidade de resolver o conflito está com os lados, o encontro de Annapolis deve ser seguido por um esforço internacional com o intuito de proporcionar um ambiente de apoio para ambos os lados, para que possam chegar a um acordo. Por exemplo, a Conferência de Doadores em Paris marcada para Dezembro proporcionará uma oportunidade para que estados doadores possam ajudar o avanço da Autoridade Palestina neste processo. A comunidade internacional tem um papel importante ao aumentar o funcionamento da Autoridade Palestina e melhorar as condições econômicas para os Palestinos como um todo. Isto é crucial para que se ganhe o apoio da população que precisar ver os frutos do processo de paz, mesmo enquanto as negociações estejam ocorrendo.

Trabalhar em prol de uma solução pacífica para o conflito é um desafio de enormes proporções, mesmo sem o histórico de uma escalada mundial do extremismo islâmico. Por este motivo, os mundos árabe e islâmico em particular têm um papel especial a desempenhar para apoio aos moderados e isolamento dos extremistas. Quando os acordos entre as partes for alcançado, até mesmo em questões menos relavantes, o apoio dos estados árabes moderados será essencial, especialmente em combater estes extremistas determinados a impedir qualquer sucesso. Ao mesmo tempo enquanto os avanços se concretizam, o progresso e a normalização entre o mundo árabe e Israel serão instaurados. Com o apoio dos moderados da região, o diálogo israelense-palestino deve resultar em laços mais estreitos e cooperação por todo o Oriente Médio.

Enquanto para judeus e árabes Annapolis representa a esperança, Gaza representa a alternativa aterrorizante. Dentro da Gaza controlada pelo Hamas, a população palestina está sujeita a uma opressão religiosa tirânica, minorias Cristãs são espancadas e assassinadas e as mulheres que violam o extremo código de vestimentas são assediadas nas ruas. Além disso, desde a tomada de Gaza pelo Hamas em Junho de 2007, mais de 350 mísseis e 500 morteiros foram disparados contra civis israelenses à partir da Faixa de Gaza - causando inúmeras casualidades, ampla destruição e uma atmosfera de constante terror. Enquanto comprometida com a paz, Israel ainda tem a a responsabilidade de defender seus cidadãos de ataques terroristas. Infelizmente os extremistas farão de tudo para cessar o processo de paz. Portanto, devemos lembrar que os esforços israelenses para se criar uma nova realidade de paz com a liderança moderada palestina não significa que Israel não irá mais confrontar os extremistas ou abrir mão das vidas de seus cidadãos.

O encontro de Annapolis tem o potencial para reiniciar o processo, mudar a face do Oriente Médio. Israel tem esperanças que todas as partes envolvidas irão aproveitar esta oportunidade e fazer o possível para ajudar a pavimentar o caminho em direção à paz.

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Tzipora Rimon é Embaixadora de Israel no Brasil