Artista polonês transforma relatos de sobreviventes do Holocausto em história em quadrinhos

Baseado em depoimentos de sobreviventes, o romance gráfico “Chleb wolnosciowy”, ou “Pão da Liberdade”, foi lançado para marcar o 75° aniversário do museu Majdanek, na Polônia. No local onde o museu foi erguido funcionou o campo de concentração em que os prisioneiros estiveram internados.

O enredo combina 11 relatos de prisioneiros do campo de Majdanek, no Leste da Polônia, onde se estima que 80 mil pessoas, a maioria judeus, morreram. No total, mais de 3 milhões de judeus poloneses morreram no Holocausto.

“Quis contar histórias verdadeiras, assim como hoje em dia muitas vezes também não queremos ver coisas que nos dizem respeito. Naqueles dias o mundo não queria ver o que estava acontecendo nos campos”, afirmou o criador da obra, Pawel Piechnik, à Reuters.

A frase usada como título da obra, “Chleb wolnosciowy”, era dita pelos prisioneiros do campo para se referirem ao pão cozido do lado de fora, o que evocava seu anseio pelo lar.

“(O livro) mostra as condições desumanas em que os prisioneiros eram mantidos, e mostra também que, mesmo diante da fome, eles conseguiam demonstrar empatia, cooperação e compaixão pelos demais”, disse Agnieszka Kowalczyk-Nowak, assessora de imprensa do Museu Estatal de Majdanek.

Fundado em novembro de 1944, o museu foi erguido meses depois de os nazistas fecharem o campo devido à aproximação das forças soviéticas.

“As pessoas precisavam ser tocadas por meio de imagens”. “(A história em quadrinhos) talvez tenha o potencial de ficar na memória e tocá-las mais profundamente à sua maneira”, disse Paulina Szyszko, estudante de graduação de 18 anos.