Autor do ataque ao Museu Judaico de Bruxelas é condenado à prisão perpétua

O jihadista francês Mehdi Nemmouche, autor do ataque ao Museu Judaico de Bruxelas, em maio de 2014, foi condenado à prisão perpétua. A sentença foi anunciada nesta terça-feira, depois de Nemmouche ter sido considerado, na semana passada, culpado de “crime terrorista”. Nacer Bendrer, que forneceu armas a Nemmouche, foi condenado a 15 anos de prisão.

Os promotores públicos chamaram Nemmouche de “covarde” e “psicopata”. Antes que os jurados se retirassem para decidir a sentença, Nemmouche sorriu e disse que “a vida continua”.

O tribunal criminal de Bruxelas considerou que Nemmouche não demonstrou qualquer sinal de arrependimento. Armado com um fuzil Kalashnikov, ele atirou por 90 segundos, matando quatro pessoas no Museu Judaico de Bruxelas, em maio de 2014, depois de retornar da guerra síria.

“Senhor Nemmouche, você é apenas um covarde, mata pessoas com um fuzil, e mata porque lhe dá prazer matar”, disse o promotor Yves Moreau, sugerindo ao júri adotar a pena máxima contra Nemmouche.

Nacer Bendrer, que foi considerado culpado de ser co-autor do ataque por ter fornecido a arma do crime, disse que estava arrependido de ter vendido o fuzil a Nemmouche. “Ele não é humano, é um monstro”, disse.

Por serem cidadãos franceses, os dois cumprirão as penas na França.

Dias após o ataque, Nemmouche foi preso na cidade de Marselha com um revólver e um fuzil Kalashnikov. O ataque ocorreu 18 meses antes dos atentados de novembro de 2015 em Paris, que deixaram 130 mortos.

Entre as vítimas do ataque ao museu estava um casal israelense, Miriam e Emmanuel Riva, que deixaram duas filhas órfãs de 15 e 16 anos na época. Nemmouche chegou a afirmar que o casal era agente da inteligência israelense, Mossad, e que ambos haviam sido responsáveis pela morte de uma pessoa.

Na terça-feira, o advogado de familiares do casal assassinado disse que a sentença foi “justa e proporcional”.