Bahrein recebe conferência econômica a favor dos palestinos, que a boicotam

Em meio a uma série de protestos de palestinos, incluindo o lançamento de balões incendiários de Gaza contra território israelense (veja), começa nesta terça-feira a conferência econômica no Bahrein, convocada pelos EUA para mobilizar fundos para recuperar a economia palestina.

A reunião – “Da paz à prosperidade” -, liderada por Jared Kushner, genro e assessor do presidente americano Donald Trump, é a parte econômica de um plano dos EUA para solucionar o conflito israelo-palestino.

O encontro, que vai até amanhã, começa com um jantar em hotel de luxo no Bahrein e deve contar com a presença de representantes de países árabes. Na abertura do encontro, os EUA pretendem pedir a formação de uma frente comum com Israel diante das hostilidades do Irã no Golfo.

O governo dos EUA espera levantar mais de 50 bilhões de dólares em projetos de infraestrutura, educação, turismo e comércio para os palestinos.

Os convidados incluem ministros das finanças dos países árabes do Golfo, o secretário do Tesouro americano Steven Manuchin e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Christine Lagarde.

A iniciativa inclui a criação de um fundo global de ajuda à economia palestina e a construção de um corredor de transporte entre os dois territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia.

Os custos da proposta, que será detalhada numa conferência internacional no Bahrein por Jared Kushner, conselheiro especial e genro do presidente Donald Trump, seriam de US$ 50 bilhões. Eles seriam bancados principalmente por países árabes, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, cuja relação com os EUA é cada vez mais próxima por causa da rivalidade comum com o Irã.

Desde 2017, quando Trump reconheceu Jerusalém como capital de Israel, os palestinos interromperam as conversas com os EUA. Hanan Ashrawi, veterana negociadora palestina, rejeitou as propostas do plano econômico americano, afirmando que são “promessas abstratas” e que apenas uma solução política poderia pôr fim ao conflito árabe-israelense, que já dura mais de 70 anos.

“Esta reunião econômica não tem sentido”, disse o primeiro-ministro da ANP, Mohammad Shtayyeh. “O que Israel e Estados Unidos tentam fazer agora é simplesmente normalizar suas relações com os árabes às custas dos palestinos”.
Por sua vez, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, afirmou no domingo que “precisamos do apoio econômico, do dinheiro e da assistência, mas antes de mais nada é necessária uma solução política. Não podemos aceitar que os Estados Unidos resumam todo o conflito a uma questão econômica”.

Em entrevista à rede de TV Al Jazeera, Kushner afirmou que uma hipotética solução política, se ocorrer, não seria de acordo com os termos apresentados pelos árabes, mas sim um meio termo entre as ideias defendidas pelos palestinos e as posições israelenses.