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AUTORIDADES
REUNIDAS NO
DIA
INTERNACIONAL DE LEMBRANÇA DAS VÍTIMAS DO
HOLOCAUSTO
Na manhã
desta sexta-feira (25/1), o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, os governadores Sergio
Cabral, do Rio de Janeiro, e Jacques Wagner,
da Bahia, secretários de Estado, Clara Ant,
assessora especial da Presidência, a
embaixadora de Israel no Brasil Tzipora
Rimon, o embaixador dos Estados Unidos no
Brasil Clifford Sobel, os vice-presidentes
da Confederação Israelita do Brasil (CONIB)
Claudio Lottenberg e Osias Wurman, Sergio
Niskier - presidente da Federação Israelita
do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ) e
cônsules de diversos países, rabinos e
várias lideranças participaram da cerimônia
que celebrou o Dia Internacional de
Lembrança das Vítimas do Holocausto, no
Palácio Itamaraty, Rio de Janeiro,
organizada pelo Centro de Informação das
Nações Unidas para o Brasil e a FIERJ.
Esta foi a terceira vez em que o presidente
Lula compareceu à cerimônia, sendo que nos
dois anos anteriores, 2006 e 2007,
participou dos eventos realizados em São
Paulo. Segundo o presidente Lula, "o
holocausto deve ser lembrado com indignação
por nós, pelos nossos filhos, pelos filhos
dos nossos filhos e por todas as gerações
futuras". Para o presidente, "nós devemos
promover os valores mais elevados da
solidariedade: paz e tolerância. E
transformar esses valores em ações concretas
contra o anti-semitismo, os preconceitos de
raça, religião e classe". Na ocasião,
fizeram uso da palavra, o presidente do
Brasil, os vice-presidentes da CONIB, a
embaixadora de Israel no Brasil e o
presidente da FIERJ, entre outros. Todos
foram unânimes em ressaltar a importância do
ato como um alerta para que nunca mais se
repitam ações nefastas como essa, também
destacaram a postura de nosso Governo frente
a liberdade de credo.
A data, celebrada oficialmente em 27 de
janeiro, foi estabelecida pela Organização
das Nações Unidas (ONU) em 2005, para
lembrar o dia da libertação dos prisioneiros
do campo de concentração nazista de
Auschwitz-Birkenau, no sul da Polônia, em
1945. Em janeiro de 2007, a ONU adotou nova
resolução condenando as declarações que
negarem a ocorrência do Holocausto. O Brasil
foi co-patrocinador dessa resolução,
aprovada por consenso por mais de 100
países. Leia no próximo Boletim Conib, a
cobertura completa do evento e os discursos
proferidos.


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DISCURSO DE CLAUDIO LUIZ
LOTTENBERG NO
DIA INTERNACIONAL DE
LEMBRANÇA DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO
Para
nós que vivemos em uma terra abençoada como o Brasil, sob a
liderança de pessoas que respeitam a diversidade e com real
interesse na edificação de um mundo com convivência
pacífica, difícil acreditar naquilo que a história pôde
registrar. Na tentativa de aniquilar, uma população indefesa
com o objetivo de matar o maior número de judeus senão todos
na Europa e outros continentes, ou seja, o "holocausto",
iniciou-se na última semana de 1941, horas após a invasão
alemã na extinta União Soviética. Começava um verdadeiro
genocídio de cidadãos de vários paises de fé judaica e
outros, que se estendeu por quatro anos, nos quais milhares
de judeus foram assassinados diariamente pelo exército
alemão e seus nefastos colaboradores como croatas e
ucranianos, entre outros. E é incrível, meus senhores, que
somente agora que a Alemanha nos permita observar arquivos e
testemunhos de fatos que alguns supostos líderes da
sociedade contemporânea desejam negar.
E é sobre este cenário nebuloso que desejo falar. O
Holocausto não nasceu abruptamente. Passada a primeira
guerra mundial, a Alemanha volta a apresentar crises de
desemprego e inflação. O suposto líder do movimento nazista
começa sua manifestação com menos de uma dezena de pessoas e
encontra solo fértil para explicar as razões desta crise,
como sendo a presença dos judeus que atuavam de maneira
muito construtiva na sociedade alemã. Portanto, senhor
presidente, o anti-semitismo em particular e as
discriminações, nem sempre nascem de forma transparente,
pois tenho absoluta convicção de que ninguém em 1925, logo
após o “Acordo de Locarno”, que previa um amplo entendimento
no continente europeu, pudesse ao mesmo tempo imaginar estar
nascendo a semente da venenosa capacidade de convocação de
um homem responsável pela morte de milhares de vidas
humanas.
Esquecer o passado pode aos olhos mais inocentes significar
olhar para frente como que ignorando a voz da verdade. Para
aqueles que tão bem conhecem a história, isto mais significa
um oportunismo de no mínimo negligenciar e adulterar os
fatos fartamente documentados. Menosprezar e tratar com
indiferença a diversidade humana com o exagero do genocídio
é não menos desprezível que discriminar. Chegar-se ao
absurdo da eugenia, representa o exagero da prepotência, da
injustificável auto-suficiência e do desprezo pelo valor
humano daquele que diverge de cada um de nós. O cenário
maniqueísta, desenhado pelos oportunistas, predispõe a
situações que em mãos de extremistas fanáticos podem ainda
hoje causar danos irreparáveis a história da humanidade.
Àqueles que desejam enterrar o passado, desprezando seu
conhecimento, são justamente os maiores interessados em
fazer com que a história se repita. Nós que aqui vivemos sob
a luz da justiça, da solidariedade e do respeito, não
podemos aceitar que a visão de alguns mal intencionados se
aproprie da história, ignorando-a com o sentido único de
obter licença para repetir atos cruéis do passado. Os judeus
que aqui alcançaram viver encontraram um refúgio seguro e
recompuseram suas vidas, educando seus filhos, prosperando e
participando da construção de nosso Brasil. Duro lembrar-se
do holocausto, porém, muito mais duro é pensar que ao
esquecê-lo estamos abrindo um espaço para que ele, de forma
silenciosa e traiçoeira, inspire alguns a repeti-lo violando
todos os princípios da ética humana.
Senhor presidente, o senhor dá sistematicamente sinais de
respeito à diversidade humana, perseguindo a justiça social
e, com nossa participação, inclusive, em iniciativas como
Itinga. O judaísmo, presidente Lula, diz que qualquer
solicitação que nos é feita pode ser questionada. A única
solicitação que jamais pode ser questionada, segundo este
mesmo judaísmo, é o da fome. Uma pessoa que nos pede um
prato de comida, chega a tal ponto da condição humana que
não nos é dado o direito de questionar aquilo que ela nos
solicita. Há alguns anos acompanho os seus passos.
Conhecemo-nos em Israel, o senhor líder trabalhista e eu um
recém médico formado. O senhor tem mente aberta: revê
posições, está sempre aberto ao diálogo, comparece aos
eventos do Holocausto, abre espaços para a cúpula árabe e,
portanto, alguém transparente. Que orgulho poder eu hoje, em
nome da comunidade judaica do Brasil, poder chamá-lo em
público de amigo LULA. E com tanta sensibilidade, senhor
presidente, de sua parte, embora tenha que hoje aqui repetir
o que lhe foi dito no ano passado, sinceramente não acredito
que exista algo mais verdadeiro, sincero e de amigo para
amigo.
Onde estava o senhor na segunda guerra mundial? Onde estava
alguém com o seu perfil de luta e respeito a todos, que
acredita na diversidade, que não admite as injustiças e que
busca a igualdade nas oportunidades. O senhor, presidente,
não teria permitido que seis milhões de almas humanas
tivessem sido assassinadas. O senhor não se aproveitaria
como vários fazem para se promover internacionalmente, com
ações questionáveis, mas de verdade iria fazer o que sempre
fez, que é a busca permanente da conciliação. Nós judeus
queremos reconhecer, não só o presidente Lula, mas acima de
tudo, o ser humano que se envolve nas questões
internacionais, para que este cenário de indiferença não se
estabeleça e o mundo não permaneça novamente calado. Há
algumas semanas a Inglaterra suspendia a educação do
Holocausto nas escolas, alegando ofender os povos
mulçumanos. O mérito do conteúdo, não discutiremos,
entretanto, este é mais um dos exemplos aonde o
fundamentalismo islâmico procura prevalecer, associando-se
ao desejo claro que alguns têm, no sentido de demonstrar que
quem sabe um cenário tão nebuloso quanto em 1925 ainda possa
existir, criando um pequeno espaço de fácil desenvolvimento
para aqueles que defendem a intolerância e o extremismo.
Quiséramos todos poder esquecer, mas, infelizmente, teremos
sempre que lembrar. Mais forte que a dor da lembrança para
as gerações mais jovens é a dor que se alimenta por atitudes
de outros governantes, que não os nossos, que a pretexto de
uma falsa ilusão de uma sociedade mais justa têm claro o
desejo oculto e determinado de um moderno genocídio que o
mundo civilizado não deve sequer permitir pensar. Em nome de
nossa comunidade agradeço a presença de todos. Muito
obrigado! |