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INAUGURAÇÃO DO
HOSPITAL MUNICIPAL DE M´BOI MIRIM "DR.
MOYSÉS DEUTSCH"
Hoje, dia
8 de abril, às 11:00, a Prefeitura Municipal
da Cidade de São Paulo inaugurará
oficialmente o Hospital Municipal de M´Boi
Mirim – Dr. Moysés Deutsch, cuja gestão está
a cargo do Hospital Israelita Albert
Einstein, em associação com a Organização
Social de Saúde “Centro de Estudos e
Pesquisas Dr. João Amorim" (CEJAM). Na
ocasião, estarão presentes o prefeito da
cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, o
governador do Estado, José Serra, o
presidente da Sociedade Beneficente
Israelita Brasileira Albert Einstein, Dr.
Claudio Luiz Lottenberg, e o presidente do
CEJAM, Dr. Fernando Proença de Gouvêa. O
novo Hospital será referência no atendimento
hospitalar para 532 mil moradores de M´Boi
Mirim e arredores. Com três andares, onde
funcionarão serviços médicos de média
complexidade, o hospital possuirá também um
setor dedicado aos casos de urgência e
emergência, além de centro cirúrgico,
centro, berçário, UTI (infantil, adulto e
neonatal), alas de internação e um setor de
apoio que inclui lavanderia, almoxarifado,
refeitório, central de energia, entre
outros. A unidade também contará com
dispensário de medicamentos, laboratório,
salas de coleta de exames, setor de raios-X,
ultra-som e de tomografia. |
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AMOR AO PRÓXIMO
por Walcyr Carrasco
Quando
vim do interior para São Paulo, aos 15 anos,
não conhecia judeus. No meu novo colégio, em
Santa Cecília, havia muitos. Fiz vários
amigos, muitos dos quais mantenho até hoje.
Tive um contato profundo com a comunidade,
com seus hábitos, sua culinária, sua
religião. Lembro de um Ano-Novo judeu na
casa de duas amigas gêmeas, em que sua mãe
me deu mel para "adoçar" o futuro. Desde a
adolescência, ouvi falar muito do
holocausto. Também vi filmes, li livros. Ao
longo da minha vida, continuei convivendo
com judeus. Mas, confesso, só agora senti na
carne sua dor.
Há
algumas semanas, reuni um grupo de amigos e
fui para a Alemanha. Alugamos uma van e
percorremos 1 200 quilômetros. Contemplei
montanhas cobertas de branco, castelos que
lembram contos de fadas e casinhas parecidas
com as de bonecas. Em meio a uma viagem tão
turística, resolvi conhecer um campo de
concentração.
Dachau
fica perto de Munique. É um lugar desolado,
com enormes galpões. Ao entrar, percorri um
museu sobre os prisioneiros. Alguns
sobreviveram, a maioria não. Vi fotos,
documentos e alguns objetos. Como um bastão
de madeira usado para dar pancadas. É de
gelar o sangue. Havia beliches nos
dormitórios. Beliches? Tratava-se de uma
espécie de prateleira, onde os prisioneiros
– na maioria judeus – eram despejados, como
se não tivessem identidade. A pessoa se
transformava em um número. Banheiro comum,
com os vasos sanitários lado a lado, sem
divisórias, retirando todo o resquício de
dignidade. Vi onde ficavam as enfermarias em
que se faziam experiências científicas com
seres humanos. Passei por uma vala
gigantesca usada para depositar corpos.
Depois entrei na câmara de gás.
Há uma
sala grande, na qual cabiam 150 pessoas por
vez. Todas deviam se despir com o pretexto
de que iriam tomar banho. Imaginei as
mulheres fazendo montinhos com as roupas,
colocando identificação. Talvez pedindo a um
soldado para não confundir com o de ninguém.
Arrumando a roupa dos filhos em cima,
delicadamente. Depois, nuas, as pessoas
entravam em outro salão. E dos supostos
chuveiros fincados no teto saía o gás
assassino. Na seqüência, uma série de fornos
crematórios para os cadáveres. Foi espantoso
constatar o planejamento, prático e
eficiente, para que o extermínio de seres
humanos se tornasse banal.
Saí sem
ar. Lá fora algumas garotas choravam,
emocionadas. Meu amigo Gabriel murmurou,
comovido:
– Aqui
não houve lugar para a compaixão. E, quando
o ser humano não é capaz de ter compaixão,
não resta mais nada.
Os campos
eram destinados principalmente a judeus, mas
também a ciganos, homossexuais, portadores
de deficiências, dissidentes políticos.
Fiquei com a certeza de que é preciso saber
respeitar o outro. Durante minha vida aqui
em São Paulo, aprendi a conviver com
pessoas, religiões, tipos humanos
diferentes. Tantos comportamentos, tantas
crenças, tantos modos de ser! Nunca mais
quero ouvir uma piada de judeu nem qualquer
brincadeira preconceituosa. Agora, quando
encontro um amigo judeu, eu penso em tudo o
que sua família viveu, a dor da separação e
da perda. E tenho a certeza de que é
necessário lutar contra qualquer tipo de
discriminação, para que nunca aconteça o
horror. Visitar um campo de concentração é
constatar que, quando não há compaixão, a
civilização desaba. Amar o próximo deve ser
uma atitude diária, constante, porque só
esse amor nos identifica como seres humanos.
(Fonte:
Veja São Paulo - 09/04/2008) |