Bolsonaro diz que mantém compromisso de mudar embaixada para Jerusalém

Um dia depois de confirmar, durante visita a Israel, a abertura de um escritório de negócios em Jerusalém, o presidente Jair Bolsonaro sugeriu que ainda pode transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para a cidade durante o seu mandato, como havia prometido ainda antes da posse. Nesta segunda-feira, em conversa com jornalistas, ele reiterou que mantém o compromisso de transferência da missão diplomática, mas pregou “calma” no processo de transição.

“Tem o compromisso, mas meu mandato vai até 2022, ok? Está explicado? E a gente tem que fazer as coisas com calma, sem problema, mantendo contato com o público de outras nações, e o que eu quero é que seja respeitada a autonomia de Israel. Se eu fosse presidente hoje e fosse abrir negociações com Israel, botaria a nossa embaixada aonde? Seria em Jerusalém. Agora, a gente não quer ofender ninguém”. “Agora, eu quero que respeitem a nossa autonomia”, ressaltou Bolsonaro.

Questionado então se a transferência da embaixada ocorrerá até 2022, o presidente respondeu: “Tá tudo tranquilo, podem ter certeza. O casamento está marcado”.

Neste domingo, 31, Bolsonaro anunciou a criação de um escritório de negócios em Jerusalém. A decisão, segundo o governo brasileiro, significa que a mudança da embaixada de Tel Aviv foi temporariamente afastada, mas não descartada. Por ora, a nova representação brasileira não terá caráter diplomático.

Embora tenha sido menos do que Binyamin Netanyahu desejava, o premiê israelense parece ter ficado satisfeito. “É um primeiro passo para que a embaixada chegue a Jerusalém”, disse.

Os dois líderes assinaram declaração conjunta decidindo “elevar as relações bilaterais a um novo nível de prioridade, construindo sobre os sólidos vínculos históricos entre os dois países desde a criação de Israel, como demonstra a conclusão de vários instrumentos bilaterais de cooperação, nos campos da ciência e tecnologia; defesa; segurança pública; aviação civil; segurança cibernética; e saúde”.

“Ambos os governos tomarão as medidas necessárias para cumprir e implementar os acordos recém-assinados nos campos acima mencionados”, diz a nota conjunta divulgada pelo Itamaraty.

Os líderes observaram com satisfação que, em reuniões entre os Ministros de Minas e Energia, os dois Governos concordaram em cooperar em diversos setores, como petróleo e gás, termoeletricidade e energias renováveis.

No campo da energia e da mineração, eles reconheceram o papel transformador da inovação, da robótica e da segurança cibernética. Como dois produtores relevantes de gás natural, os dois países intercambiarão melhores práticas sobre a concepção dos mercados domésticos de gás natural.

Em discurso feito na chegada a Israel, Bolsonaro citou o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha. “É motivo de muito orgulho para mim e para o povo do meu país o papel que o nosso chanceler Oswaldo Aranha desempenhou na criação do nosso Estado de Israel”, afirmou Bolsonaro ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, durante cerimônia de recepção à comitiva brasileira neste domingo (31).

A imprensa israelense deu amplo destaque à chegada de Bolsonaro ao país, através dos jornais Times of Israel, Jerusalem Post e Ynet News, entre outros.