Boris Johnson indica ministros com ligações com Israel e com raízes judaicas

O novo primeiro-ministro britânico Boris Johnson assumiu oficialmente o cargo nesta quarta-feira (24) e já anunciou alguns nomes para compor seu gabinete, entre eles Priti Patel (foto), ex-secretária de Desenvolvimento Internacional (2016 a 2017) que foi forçada a renunciar depois das revelações de que mantivera reuniões secretas com autoridades israelenses.

Patel renunciou em novembro de 2017, depois de ter tido uma série de reuniões com líderes israelenses – incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu – para discutir o conflito sírio, sem comunicar o governo britânico. Patel se desculpou por ter participado de 12 reuniões separadas com autoridades israelenses durante as férias da família em Israel, em agosto daquele ano, sem comunicar as autoridades britânicas com antecedência.

O Jewish Chronicle afirmou que, na época, Patel havia informado o Downing Street – é uma rua em Londres que abriga as residências oficiais e escritórios do primeiro-ministro do Reino Unido e do chanceler -, sobre as reuniões e fora aconselhada a conversar com o diplomata israelense Yuval Rotem. Rotem atualmente é o diretor geral do Ministério de Relações Exteriores de Israel.

Dominic Raab, que foi ministro do Brexit até se demitir, no ano passado, por discordar do acordo orquestrado por Theresa May com a União Europeia, foi indicado secretário das Relações Exteriores.

Casado com brasileira, filho de pai checo judeu que fugiu do nazismo e graduado em Oxford e em Cambridge, Raab teria passado o verão de 1998 em uma universidade perto de Ramallah, ocasião em que teria se envolvido como negociador palestino do processo de paz de Oslo. Agora, como ministro das Relações Exteriores, seu grande desafio será lidar com as tensões com o Irã no Golfo por causa da recente apreensão de um petroleiro de bandeira britânica na região. Leia mais sobre ele.

Said Javid é outro nome indicado pelo novo premier britânico. Nomeado secretário do Tesouro, Javid vem de uma família muçulmana. Já visitou Israel e a Cisjordânia e esteve no Muro das Lamentações e no Templo do Monte. Ele lembrou que seu pai acreditava profundamente na coexistência pacífica entre judeus e muçulmanos. “Nós amamos muito a herança judaica e apreciamos isso”, disse ele recentemente durante a visita.