Brasil defende criação de Estado palestino em Conselho da ONU

Em seu primeiro pronunciamento oficial sobre o conflito entre israelenses e palestinos desde que Jair Bolsonaro tomou posse como presidente, o governo brasileiro defendeu uma “solução de dois Estados” em um novo acordo de paz conduzido pelos EUA. Em seu discurso durante reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta terça-feira (22), o embaixador Frederico Meyer, no entanto, não fez qualquer menção a Jerusalém. O discurso, de cerca de dez minutos, foi o mais aguardado. Representantes de outros países esperavam que o embaixador confirmasse uma inversão da política brasileira em relação ao conflito entre israelenses e palestinos, o que não ocorreu.

Alinhado com os EUA, o presidente Jair Bolsonaro já tinha anunciado que pretendia seguir os passos do presidente Donald Trump transferindo a embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. Se for implementada, a mudança significará o reconhecimento de que Jerusalém é a capital de Israel e o Brasil estará em desacordo com resolução do Conselho de Segurança da ONU que reconhece a parte oriental da cidade como pertencente aos palestinos e a ocidental, a Israel.

Hoje, para levar adiante o plano de mudança da embaixada brasileira para a parte oriental de Jerusalém, Bolsonaro terá de revogar um decreto de Getúlio Vargas que vigora desde 1945, pelo qual o País se compromete a cumprir todas as decisões e resoluções do conselho de segurança da ONU (Julio Wiziack, Folha de S.Paulo).