Cenários de reação a um Irã nuclear são o foco da 4ª palestra do ciclo “Israel e o Mundo”, em São Paulo

Um cálculo racional feito pelo Irã mostra que é melhor para o país ter a bomba atômica, afirmou o cientista político Heni Cukier, em palestra realizada nesta segunda-feira, 23 de setembro, no Centro da Cultura Judaica, em São Paulo. Falando no ciclo “Israel e o Mundo” sobre o tema “Israel e Irã”, ele abordou os cenários que se apresentam tanto para o Irã, como para Israel e os EUA sobre a produção de uma bomba atômica iraniana.


Cukier, professor de Relações Internacionais na ESPM-SP, mostrou que as relações Israel-Irã nem sempre foram tensas. Foi após a Revolução Islâmica, em 1979, que o Irã passou a se aproximar do mundo árabe. Ele também apresentou os motivos para o que chama de “psicologia da insegurança” israelense, que motivam a extrema preocupação do Estado judeu com uma possível escalada nuclear iraniana.



Por meio de cálculo baseado na probabilidade de ocorrerem diferentes cenários – como um possível ataque israelense ou americano, caso o Irã produza a bomba, e quais as consequências desse ataque -, ele concluiu que uma análise fria, feita pelos dirigentes iranianos, os leva a prosseguir na confecção da bomba – decisão que tem o apoio da maioria da população. 



O cientista político é cético com relação à política de aproximação do Ocidente do presidente recém-eleito Hassan Rowhani e lembrou que o poder real no país está nas mãos do aiatolá Khamenei e da Guarda Revolucionária, que abortou violentamente a Revolução Verde, em 2009, após a controvertida reeleição de Ahmadinejad. Ele acrescentou que o Irã tem pouco a ganhar se abdicar da bomba.



Cukier não acredita, portanto, em uma solução diplomática para a questão e conclui que o mundo tem apenas duas opções reais: atacar o Irã, para ao menos retardar a produção da bomba, ou conviver com um Irã nuclear.



Quanto à segunda opção, o cientista político considera que seria uma grande ameaça à segurança internacional, também porque grupos terroristas como Hamas e Hezbolá, aliados do Irã, poderiam ter acesso a armas nucleares.



Na próxima segunda-feira, 30 de setembro, às 20 horas, o ciclo, parceria entre a Confederação Israelita do Brasil e o Centro de Cultura Judaica, prossegue com a palestra “Israel e EUA”, com Samuel Feldberg, graduado em Ciência Política e História pela Universidade de Tel Aviv, doutor em Ciência Política pela USP e professor de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco. Sinopse: se hoje a aliança entre EUA e Israel parece inquestionável, é preciso lembrar que nem sempre foi assim. Os interesses americanos no Oriente Médio, a formação de alianças durante a Guerra Fria e a reivindicação pelos EUA do papel de mediador de um acordo de paz entre israelenses e palestinos estão entre os temas que serão abordados. 



A curadoria do evento é do cientista social Daniel Douek. 



O preço para cada palestra é de R$ 65,00. Idade mínima: 18 anos.



As datas são 30 de setembro e 7, 14, 21 e 28 de outubro, segundas-feiras. Horário: das 20h às 22h. Informações, no Centro da Cultura Judaica: secretaria@culturajudaica.org.br ou secretaria1@culturajudaica.org.br. Telefone: (11) 3065-4349/4337.


Panorama da palestra com Heni Cukier, no Centro da Cultura Judaica, em São Paulo. Foto: Samuel Neuman.