CJL responsabiliza governos da América Latina por onda de antissemitismo

O Congresso Judaico Latino-americano fez nesta quarta, 6 de agosto, forte advertência aos governos da América Latina e criticou as políticas e ações de alguns deles com relação ao conflito em Gaza. Em declaração à Agência de Notícias Judaica, da Argentina, o secretário-geral Saul Gilvich afirmou: "Essas políticas estão gerando fortes ondas de antissemitismo nos países da América Latina, nos quais os políticos que as geram são e serão responsáveis pelo aumento do antissemitismo. Creio que é um erro histórico, mas reparável com o tempo".

"Quando a Embaixada de Israel em Buenos Aires foi atacada, era contra o Estado de Israel; quando a AMIA foi atacada, era contra os judeus. Infelizmente, tivemos que esperar o ataque às Torres Gêmeas, para que o terrorismo se tornasse um problema global. Voltamos a esquecer que o terrorismo e aqueles que o apoiam e financiam são um problema para a civilização ocidental, porque seu objetivo não é apenas para matar judeus, mas todos os ‘infiéis’. Os países latino-americanos, em alguns casos, estão esquecendo disso", prosseguiu.

Gilvich considera que a medida de chamar para consulta os embaixadores latino-americanos em Israel foi um ato muito grave: "Se eles acham que os conflitos devem ser resolvidos na mesa de negociações, deveriam ter feito sua parte para se chegar a uma negociação, e não tomar uma medida assimétrica, que encoraja e justifica o Hamas, um movimento terrorista", acrescentou.

Ele também se referiu ao uso do termo "genocídio" [em Gaza] por vários deles, especialmente o presidente venezuelano Nicolas Maduro. "Seria importante que ele lesse o preâmbulo da Constituição do Hamas, em que um dos primeiros itens chama para o extermínio dos judeus e o ataque onde quer que estejam. Genocídio é isso: eliminação expressa da etnia, raça ou pessoas", disse.

"É muito doloroso para nós essa o uso desta palavra, banalizada, mal utilizada. O Estado de Israel, independentemente de cometer erros, não fala em nenhum momento sobre o extermínio de um povo”, completou.

Gilvich lembrou que muitos desses governos mantinham relações cordiais com Israel. "Este cenário nos lembra dos momentos mais tristes da história judaica. Em 1938, ninguém viu que os nazistas queriam eliminar o povo judeu. Hoje, os chanceleres latino-americanos ignoram a exortação do Hamas para atacar os judeus onde quer que estejam. Nós sabemos até onde pode levar este erro de julgamento".

O dirigente também abordou o efeito da tensão diplomática sobre as comunidades judaicas da região: "Não somos parte da população israelense, não intervimos na eleição do governo de Israel, mas as decisões que eles tomam afetam todos nós. De alguma forma, somos os receptores passivos de uma situação, o que nos faz ser solidários com Israel, porque está em jogo nossa própria sobrevivência como judeus", finalizou.

O secretário-geral também explicou que o CJL trabalha para que outros países não retirem seus embaixadores de Israel, explicando-lhes a realidade do conflito.

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Saul Gilvich e Jack Terpins, presidente do CJL. Foto: Divulgação.