Congresso Judaico Mundial homenageia Elie Wiesel no 3º aniversário de sua morte

Elie Wiesel, uma das vozes mais importantes da memória do Holocausto e da defesa dos direitos humanos, faleceu em 2 de julho de 2016 em sua residência em Nova York aos 87 anos de idade. Sobrevivente dos campos de extermínio de Auschwitz e Buchenwald, Wiesel recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1986.

O Congresso Judaico Mundial (CJM) prestou homenagem nesta terça-feira a Wiesel, lembrando que ele “dedicou sua vida defendendo a humanidade, a verdade e ajudando outros sobreviventes a emergirem mais fortes após o Holocausto”. “Esta foi sua mensagem de esperança, para os sobreviventes – e para nós”, diz o CJM.

Em trecho de seu discurso ao receber o prêmio Nobel, Wiesel afirmou: “Eu me lembro: foi ontem, ou há uma eternidade. Um menino judeu descobriu o Reino da Noite. Lembro de seu desconcerto, lembro de sua angústia. Foi tudo tão rápido. O gueto. A deportação. O vagão de gado fechado. O altar em chamas onde a história do nosso povo e o futuro da humanidade seriam sacrificados. Lembro que ele perguntou ao seu pai: “Isso é mesmo verdade? Isto é o século XX, não a Idade Média. Quem consegue autorizar que crimes como estes sejam cometidos? Como pode o mundo permanecer em silêncio?”. E esse menino agora se volta para mim e pergunta: “O que você fez com o meu futuro? O que você fez com a sua vida?”. E eu respondo que tentei. Tentei manter a memória viva, tentei lutar contra aqueles que esquecem. Porque, se esquecemos, somos responsáveis, somos cúmplices”.

O menino com quem Wiesel dialogava nesse discurso nasceu em 1928 em Sighet, Transilvânia. Aos 15 anos de idade, foi levado com toda a sua família pelos nazistas para o campo de concentração de Auschwitz, onde morreram sua mãe e sua irmã menor. Seus dois irmãos mais velhos sobreviveram. Depois, ele e seu pai, Shlomo, foram transferidos para o campo de Buchenwald, onde Shlomo morreu pouco antes da liberação, em abril de 1945. O número de identificação como prisioneiro que ele manteve tatuado em seu braço até o fim da vida era A-7713.

Depois da guerra, formou-se em Paris, como jornalista. Não falou sobre o Holocausto durante dez anos. Acabaria por escrever dezenas de ensaios e romances, dentre os quais se destaca a trilogia sobre a experiência nos campos de concentração. O primeiro desses livros, A Noite (1955), foi traduzido para mais de 30 línguas, segundo a Fundação Eli Wiesel para a Humanidade, instituição que ele próprio criou juntamente com sua mulher e da qual era presidente. “Esquecer os mortos é o mesmo que matá-los pela segunda vez” – eis a ideia central desse livro e que o guiou a vida inteira. Na obra, Wiesel relata a sua vergonha por ter permanecido em silêncio deitado em seu catre enquanto seu pai era espancado.

Wiesel dedicou a vida à defesa dos direitos humanos, a manter viva a memória do Holocausto por meio da educação e da defesa apaixonada do Estado de Israel. Entre as causas apoiadas por sua fundação, segundo a própria organização, estiveram a defesa dos judeus da antiga URSS, os desaparecidos da ditadura militar argentina, os refugiados do Camboja, os curdos e a luta contra o Apartheid na África do Sul.