Coreia do Sul adota textos do Talmud como fonte de inspiração para o aprendizado de jovens

O Talmud vem sendo fonte de inspiração para jovens da Coreia do Sul que buscam o sucesso acadêmico. “Eu odiava a ideia de enviar meus filhos para escolas particulares, onde os professores colocam informações nas cabeças dos jovens sem se preocupar em estimular a criatividade”, disse Kim Hye-kyung. Ela conta que vivia a angústia desse dilema quando, por acaso, encontrou um livro de uma autora coreana sobre um novo método de estudo: chavruta, utilizado por estudiosos do Talmud e que consiste na análise e discussões de temas com base em textos rabínicos antigos. “Quando li sobre chavruta, senti uma conexão forte”. “Para mim, fez todo o sentido”, disse Kim Hye-kyung. “Era o caminho educacional que eu estava buscando”.

O aprendizado inspirado em textos do Talmud se propagou na Coreia do Sul e dezenas de instituições já adotam o método chavruta no ensino. Educadores afirmam que o método judaico é a chave para se alcançar o sucesso acadêmico.

A propagação do método despertou a curiosidade dos sul-coreanos com relação ao judaísmo. A maioria dos sul-coreanos nunca conheceu um judeu. Além de uma pequena instituição religiosa – Chabad – na capital coreana e a presença de alguns grupos de imigrantes judeus, praticamente não existe comunidade judaica na Coréia do Sul. No entanto, há um fato sobre os judeus que quase todos os sul-coreanos conhecem. “Os judeus representam apenas 0,2% da população mundial, mas 23% dos ganhadores do Prêmio Nobel são judeus”, afirma Choi Jae-young, estudante de Seul. “E apesar de todo o tempo e dinheiro que gastamos em educação, apenas um coreano ganhou um prêmio Nobel. Isso irrita muitos coreanos. Isso nos faz querer aprender mais sobre os segredos dos judeus”. Muitos sul-coreanos acreditam que esse profundo conhecimento dos judeus se deve às abordagens judaicas na educação. “Os coreanos não precisam imitar os sistemas de crença judaicos”, disse Seol Dong-ju, pesquisador educacional, “mas precisamos copiar o modo como os judeus ensinam seus filhos”.

A propagação do método de ensino judaico também despertou o interesse dos sul-coreanos pela literatura e pelos costumes judaicos. Kim Jung-wan, que dirige uma dessas escolas – a Havruta Culture Association – explica que a educação judaica na Coreia do Sul tem mais de 40 anos. Tudo começou em meados da década de 1970, quando traduções coreanas de histórias inspiradas no Talmud e escritas pelo rabino Marvin Tokayer, um capelão militar americano que vivia no Japão, chegaram pela primeira vez às livrarias de Seul.

Os textos de Tokayer fizeram grande sucesso. O Talmud, o vasto compêndio hebraico e aramaico da lei e tradição judaicas praticamente viralizaram na Coréia do Sul. Nas décadas seguintes, centenas de versões coreanas do Talmud surgiram, a maioria traduzida do inglês. Estes variam de livros ilustrados para crianças a textos mais profundos e extensos ​​para adultos. Mas a febre sul-coreana do Talmud também despertou um fascínio intelectual pelo conhecimento do judaísmo – o que gerou todo tipo de publicações sobre o tema, incluindo uma tradução em coreano da Hagadá, o livro que os judeus leem no seder de Pessach – a Páscoa judaica (Tim Alper, Times of Israel).