DAIA divulga relatório sobre antissemitismo: casos mais que dobraram em relação a 2018, atingindo aumento de 107%

A Delegação de Associações Israelitas Argentinas – DAIA – registrou em 2018 o maior número de incidentes antissemitas na Argentina nos últimos vinte anos. Houve um total de 834 ocorrências, o que representou um aumento de 107% em comparação com 404 registradas durante 2017.

Em 2018, várias questões relacionadas à comunidade adquiriram relevância na mídia, o que desencadeou uma multiplicidade de manifestações discriminatórias por parte de usuários que expressaram publicamente seus preconceitos antissemitas através de comentários em redes sociais e sites de mídia de comunicação.

Segundo o documento, como observado em edições anteriores, a maior presença da comunidade judaica na cena pública, independentemente do assunto abordado, tem gerado um aumento de manifestações discriminatórias em relação aos judeus.

Ainda de acordo com o relatório, eventos antissemitas no espaço on-line têm aumentado constantemente com relação a outras manifestações, atingindo nesta última edição 90% dos casos. Em relação ao contexto em que ocorre a maior proporção dos incidentes antissemitas relatados, observa-se que 71% correspondem a casos que ocorreram em sites, enquanto 17% a ocorrências nas redes sociais. Apenas 3% dos casos ocorreram no espaço público, campo que até alguns anos atrás se caracterizava por apresentar a maior proporção de situações de segregação contra os judeus, destaca o documento.

O maior percentual de fatos relatados, com 72%, ocorreu no Facebook. Em seguida vem o Twitter, com 16%, e Instagram, com 8%, o que, embora represente um número limitado preocupa pelo seu crescimento abrupto como um ambiente favorável ao desenvolvimento de comportamentos de ódio.

“Estamos perdendo a batalha cultural contra o discurso do ódio”, disse o presidente do DAIA, Jorge Knoblovits, ao apresentar os números, conforme noticiou o JTA. “Nossos esforços não são suficientes; o aumento é feroz”.

Knoblovits também disse que a situação piorou em 2019, com ataques não apenas online, mas também físicos, incluindo o ataque a um rabino em Rosário, em junho.

Em relação aos tipos predominantes de antissemitismo em 2018, o documento observa que 27% estão relacionados a manifestações de xenofobia, 18% a eventos no Oriente Médio e 17% às narrativas de conspiração. Essas porcentagens não mostram variações significativas em relação a anos anteriores, o que expõe estabilidade quanto aos tipos de antissemitismo predominantes em manifestações discriminatórias contra os judeus na sociedade argentina.

O relatório deste ano também forneceu uma Investigação sobre as Representações Sociais Acerca dos Judeus na Argentina. A pesquisa com 1.443 pessoas foi realizada por uma equipe do Instituto de Pesquisa Gino Germani da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, dirigido pelo Dr. Néstor Cohen e, como pesquisador principal, Dr. Anahí González.

Em relação à avaliação realizada em 2010, o documento aponta uma melhora na imagem da condição judaica na Argentina. O saldo comparativo entre as duas avaliações mostra que a representação melhorou sobre a origem judaica. No entanto, as porcentagens referidas para aqueles que consideram que os judeus são pessoas que privilegiam questões materiais permanecem altas, assim como os que acreditam que são eles os que concentram grande parte do poder econômico.

O relatório completo você confere em: http://www.daia.org.ar/wp-content/uploads/2019/10/informe2018-web.pdf