Descoberto pavio de lamparina que remonta ao período bizantino

A Autoridade de Antiguidades de Israel anunciou a descoberta de um pavio de lamparina que remonta ao período bizantino. Poucos pavios de lamparinas se mantiveram intactos 1.500 anos após seu último uso –  geralmente eles se desintegram com o tempo. A descoberta na antiga cidade de Shivta, no deserto de Negev, foi importante para avaliar a composição do pavio.

O pavio foi examinado em projeto de pesquisa sobre assentamentos bizantinos no Neguev. O projeto vem sendo desenvolvido pela Universidade de Haifa desde 2015, sob a supervisão dos professores Guy Bar-Oz e Yotam Tepper. Tepper identificou descobertas inéditas de uma escavação anterior no sítio de Negev sobre a expedição da American Colt, que chegou a Shivta na década de 1930.

Os laboratórios da Autoridade de Antiguidades examinaram o pavio, encontrado em seu detentor. Um pequeno tubo de cobre continha as fibras que uma arqueóloga de autoridade, a dra. Naama Sukenik, confirmou serem feitas de linho. O material era comumente usado para a fabricação de roupas e para pequenas tochas acesas em óleo.

“Parece que essa descoberta rara foi preservada graças ao clima seco do Negev”, disse Sukenik como parte da declaração da autoridade sobre a descoberta.

Lamparinas a óleo eram usadas regularmente na vida diária, iluminando casas e prédios públicos. As lamparinas eram feitas de cerâmica ou vidro. As lamparinas antigas costumam ser encontradas em escavações arqueológicas, mas pavis raramente. Isso por causa do material orgânico do linho, cujas fibras costumam se desintegrar rapidamente.

“A Mishná, no tratado Shabat, discute quais materiais podem ou não ser usados ​​como pavios para acender as llamparinas de Shabat”, disse Sukenik. “Lá também, o linho é mencionado como um material de alta qualidade para tochas, porque queima por um período demorado e de uma forma bonita. A Mishná menciona outras tochas, que eram feitas de materiais de menor qualidade e, portanto, proibidas para uso em lamparinas de Shabat. Entre elas estavam fibras feitas da planta chamada maçã de Sodoma, que até hoje cresce na área do Mar Morto”.

Embora os habitantes de Shivta fossem em sua maioria cristãos, os materiais descritos no tratado indicam que poderiam ter sido usados até mesmo durante o período bizantino.

Os resultados indicam que a população de Shivta usou pavios de linho, apesar do fato de o linho não ser originário do Negev. Isso significaria que os pavios, ou pelo menos o próprio linho, eram importados de outros lugares, provavelmente mais ao norte. O linho do pavio não era da mesma qualidade que o linho usado no vestuário.

Sukenik disse que o pavio provavelmente acomodou um tipo de lâmpada de vidro típico do período bizantino e foi moldado como um copo ou tigela de vidro e preenchido com óleo para fornecer luz.

“Apesar do pequeno tamanho do pavio de Shivta – com apenas alguns centímetros de comprimento -, ele lança luz sobre um dos objetos mais essenciais e comuns da antiguidade, que quase desapareceu do mundo, mas sobreviveu em Shivta”, disse Sukenik.