Egito quer renovar seus locais de herança judaica

O presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, destinará US $ 71 milhões para renovar os locais de herança judaica e as sinagogas no Egito, país que que marcou o festival de Hanukkah com um encontro inter-religioso, segundo revelou o ministro de Arqueologia Khaled Al-Anani.

O governo egípcio tem cerca de 500 itens coletados em sinagogas, que serão apresentados ao público em geral. O Cairo tem 13 sinagogas, mas apenas três delas são ativas: a Sinagoga Shaarei Shamayim, a Sinagoga Ben Ezra, no bairro Abbassia, e a sinagoga da comunidade caraíta. Al-Anani disse que algumas das sinagogas deixariam de servir como casas de culto e se tornariam locais turísticos abertos ao público em geral.

“Há significância na reabilitação das sinagogas judaicas, semelhante à renovação dos sítios patrimoniais faraônico, islâmico e copta”, disse o ministro. Mas ele acrescentou: “Deve ser lembrado que os artigos judaicos e as sinagogas pertencem ao governo egípcio”.

Sisi salientou que não haveria “envolvimento estrangeiro” no processo de renovação – uma referência indireta a tentativas de organizações judaicas no exterior de intervir e financiar o trabalho de reforma. Ele disse que todo o trabalho seria realizado apenas por egípcios, usando fundos do governo egípcio.

“A maioria das sinagogas está atualmente em condições muito precárias e deve ser reformada para transformarem-se em centros de visitantes”, explicou al-Anani, durante uma apresentação especial no Parlamento egípcio. Ele também disse que uma autoridade anti-contrabando operando na cidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, localizou centenas de itens das sinagogas egípcias destinadas à Europa.

De acordo com al-Anani, artefatos judaicos, islâmicos e faraônicos também foram contrabandeados para a Itália, “e estamos negociando com o governo italiano o retorno deles”.

Enquanto isso, o Cairo celebrou pela primeira vez Chanucá com um evento conjunto para judeus, muçulmanos e cristãos. A chefe da comunidade judaica egípcia, Magda Haroun, convidou dezenas de convidados não judeus para a sinagoga de Shaarei Shamayim, nos arredores do Cairo, para uma cerimônia na qual ela explicava o significado do feriado.

Menos de uma dúzia de judeus, a maioria deles idosos, permanecem do que já foi, no passado, uma grande comunidade judaica egípcia.