Em sua primeira página, Jewish Chronicle faz apelo dramático a britânicos para que não votem em Corbyn

O jornal britânico Jewish Chronicle divulgou em sua primeira página um apelo dramático aos cidadãos britânicos para que reflitam em quem vão votar nas eleições de 12 de dezembro. Diz a mensagem:

“A todos os nossos concidadãos britânicos: Esta página é destinada não apenas aos nossos leitores assíduos, mas também àqueles que normalmente não leem The Jewish Chronicle, ou seja, os não-judeus. E o motivo é este:

A grande maioria dos judeus britânicos considera Jeremy Corbyn um antissemita. Na pesquisa mais recente, no mês passado, o número era de 87%.

Colocar-se no lugar do outro pode ser difícil. Mas acreditamos que é importante – e urgente – que façam isso. Talvez o fato de quase metade (47%) da comunidade judaica ter dito na mesma pesquisa que “consideraria seriamente” emigrar se Corbyn vencer em 12 de dezembro, dê uma indicação de como é ser um judeu britânico numa época em que a oposição oficial é liderada por um homem considerado amplamente um antissemita.

Existe racismo em todos os lados da política e deve ser combatido onde quer que exista. A história obrigou nossa comunidade a identificar o extremismo quando ele se revela – e a eleição de Jeremy Corbyn como líder trabalhista em 2015 é um exemplo.

Ao longo de sua carreira, ele se aliou e apoiou antissemitas como Paul Eisen, Stephen Sizer e Raed Salah. Ele descreveu como ‘amigos’ organizações como o Hamas, cuja carta fundadora pede o extermínio de todos os judeus do planeta. Ele colocou uma coroa de flores em homenagem aos terroristas que assassinaram judeus. Ele insultou os ‘sionistas’ – a palavra usada pelos antissemitas quando eles querem dizer ‘judeu’ porque eles acham que isso lhes permite escapar impunes por falta de entendimento de muitos do seu real significado.

Alguns esperavam que o partido mudasse de líder. Mas isso aconteceu. A omissão e inação quase total de Corbyn e das demais lideranças trabalhistas com relação ao antissemitismo no partido os encorajou e encorajou outros.
De fato, Corbyn e seus aliados impediram ativamente uma ação contra os racistas.

Em vez de ouvir e aprender com os principais organismos judaicos, como a Junta de Deputados e o Conselho de Liderança Judaico, Corbyn os tratou e respondeu as suas recomendações com desprezo – e apoiou organizações periféricas criadas exclusivamente para negar a existência do antissemitismo trabalhista.

É de se admirar que os judeus se preocupem com a perspectiva de ter Corbyn como primeiro-ministro?

No entanto, enquanto vemos tudo isso acontecer, vemos também uma eleição em que o antissemitismo no Partido Trabalhista, inspirado por seu líder, é mencionado apenas ocasionalmente como uma reflexão tardia. Brexit, austeridade, NHS, educação e inúmeras outras questões são, obviamente, vitais. Mas como as visões racistas de um líder do partido – e o profundo medo que ele inspira em uma minoria étnica – não podem estar entre as questões mais fundamentais?

É por isso que estamos buscando sua atenção. Se esse homem for escolhido como nosso próximo primeiro-ministro, a mensagem que receberemos será gritante: que nosso desânimo por ele poder ser elevado a um papel de destaque na política britânica e nossos medos de onde isso nos levará são irrelevantes.

Teremos que concluir que esses medos e consternações de nada importam.

Mas acreditamos que vocês se importam.

Acreditamos que a esmagadora maioria do povo britânico abomina o o racismo. Então pedimos que, quando forem votar, reflitam”.