Estudantes do Rio apresentam desenhos e redações sobre Holocausto em exposição da ONU

Para refletir sobre o genocídio que vitimou judeus e povos de outras origens durante a Segunda Guerra Mundial, o Centro de Informação da ONU no Brasil (UNIC Rio) inaugurou nesta semana (29) no Palácio Itamaraty uma exposição de desenhos e redações sobre o Holocausto, feitos por alunos da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. A abertura da mostra “Holocausto: Esquecer Jamais” reuniu os jovens autores das obras em exposição e representantes das comunidades judaica e cigana que vivem na capital fluminense, incluindo o sobrevivente Freddy Glatt, nascido na Alemanha e perseguido pelos nazistas.

A exposição é parte das celebrações pelo Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto – data instituída pela ONU em 2005 para lembrar a libertação do campo de extermínio de Auschwitz, em 27 de janeiro de 1945, pelas tropas soviéticas. A data homenageia os 6 milhões de mortos no Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“Levaram meus irmãos, meus avós e meus amigos. Até hoje, eu tenho pesadelos à noite”, disse Glatt, que hoje é presidente da Sherit Hapleitá, a Associação de Sobreviventes do Holocausto do Rio de Janeiro. Atualmente, ele realiza palestras em escolas brasileiras e defende a importância de continuar transmitindo aos jovens a história das atrocidades cometidas pelos nazistas.

Também presente no evento, o presidente da União Cigana do Brasil, Mio Vacite, falou sobre a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a perseguição e o extermínio dos ciganos pelos nazistas.

“Eu só fui ter consciência sobre o ‘nosso Holocausto’ aos 45 anos de idade. Os ciganos que vieram para o Brasil tinham tanto medo de assumir suas identidades que não ousavam passar para os seus filhos a história de seu povo”, explicou Vacite, observando que “ninguém deveria falar sobre direitos humanos e este tema sem mencionar a enorme dívida da humanidade com os povos ciganos”.

A proposta da exposição “Holocausto: Esquecer Jamais” vai ao encontro dos apelos das comunidades judaica e cigana. A mostra reúne desenhos, textos em prosa e poesia que ganharam um concurso da Secretaria Municipal de Educação do Rio e da Associação B’nai B’rith. A competição fez parte da Jornada Interdisciplinar do Holocausto, realizada anualmente em colégios públicos pelas duas instituições. A iniciativa discute o genocídio ocorrido na Segunda Guerra e também desafios atuais no exercício pleno dos direitos humanos.