EUA anunciam sanções contra parlamentares libaneses ligados ao Hezbollah

A política americana de “pressão máxima” contra o Irã atingiu, pela primeira vez, dois parlamentares libaneses ligados ao Hezbollah, que, além de ser aliado próximo de Teerã, é uma das principais organizações políticas do Líbano. Desde 1995, é considerado uma “organização terrorista” pelo Departamento de Estado dos EUA.

Amin Sherri e Mohamad Hasan Ra’ad , que ocupam posições de liderança no Hezbollah, foram acusados de “agir em favor de organização terrorista”. Um chefe da organização, responsável pelas relações com as agências de segurança libanesas, Wafiq Safa, também foi incluído na lista de sanções.

A inclusão na lista do Escritório de Controle de Bens Estrangeiros, do Departamento do Tesouro, os impede de acessar o sistema financeiro americano, de entrar no país e congela possíveis bens, como contas bancárias.

Por conta de suas atividades armadas, que envolvem atentados, assassinatos e participação em conflitos, como o da Síria, o Hezbollah é alvo frequente de sanções americanas: foram mais de 50 desde 2017. Além disso, a organização é financiada e apoiada pelo Irã, que o vê como um de seus aliados mais importantes no mundo árabe. Ao mesmo tempo, é um ator político de peso no Líbano, tendo 12 deputados eleitos e dois ministros no gabinete de governo.

Para o Departamento de Estado, as sanções também servem de recado para Beirute.

“A mensagem é de que o resto do governo libanês precisa cortar suas relações com essas pessoas que incluímos em nossa lista de sanções”.

Já um deputado do Hezbollah afirmou que a decisão dos EUA é “uma humilhação para o povo do Líbano”. Ele defendeu que o governo e o Parlamento emitam uma condenação formal à medida.

As sanções mostram a disposição de Washington de atingir não apenas Teerã, por conta das controvérsias envolvendo o programa nuclear do país, mas também seus aliados. Tanto que o Departamento de Estado pediu aos governos da região que incluam o grupo em sua lista de organizações terroristas e que suspendam suas relações com o Irã.