EUA devem condenar racismo, intolerância e supremacia branca, diz Trump

O presidente Donald Trump disse nesta segunda (5), em pronunciamento na Casa Branca, que não há lugar nos Estados Unidos para “ódio, intolerância e supremacia branca”. Trump falou após dois ataques no fim de semana terem deixado 29 mortos em Ohio e Texas com diferença de 13 horas.

O pronunciamento ocorre em meio a acusações de pré-candidatos democratas à presidência, que acusaram o presidente de incentivar a violência, despertando o medo dos americanos em relação a imigrantes, além de fazer frequentes comentários racistas.

Trump não respondeu às críticas, e culpou a “cultura da violência” dos videogames e da internet, bem como a saúde mental dos assassinos pelas chacinas. “Distúrbios mentais e ódio puxam o gatilho, não a arma”.

No sábado (3), 20 pessoas foram mortas e outras 26 ficaram feridas na cidade de maioria hispânica El Paso, que faz fronteira com o México. Horas mais tarde, nove pessoas foram mortas e mais 27 feridas em um segundo atentado, em Dayton, no estado de Ohio.

O republicano afirmou que é hora de “jogar luz nos rincões escuros da Internet”, sites que possibilitam o tráfico ilegal de pessoas e a distribuição de drogas.

Em seguida, pediu a empresas de internet e de mídias sociais que, em conjunto com o Departamento de Justiça, tomem medidas para identificar sinais de alerta emitidos por potenciais atiradores. A ideia é agir antes que tais crimes aconteçam.

Ele disse ainda que é preciso “condenar a glorificação da violência na nossa sociedade”, incluindo jogos de vídeo-game, que nas suas palavras ajudam a radicalizar as pessoas. “A mudança cultural é difícil”, completou.

Segundo ele, democratas e republicanos precisam deixar de lado suas “diferenças destrutivas” e devem se unir contra os “monstros mentalmente doentes” responsáveis pelos atendados com armas no país.

Pediu também uma reforma nas leis relativas à saúde mental, e afirmou que quem aparenta ser um risco à sociedade não deve ter acesso a armas de fogo. Ele pediu a aplicação da pena de morte para os autores de chacinas e de crimes de ódio.

O republicano também enviou suas condolências ao presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pelos sete mexicanos mortos no atentado de sábado em El Paso, no Texas, de maioria hispânica.

Ele lembrou os vinte anos do massacre de Columbine, que vitimou 13 pessoas, e afirmou que o número de ataques com armas só cresceu desde então.

Disse ainda que está junto com as famílias das vítimas dos crimes neste momento de luto, e que as crianças têm o direito de crescer em um país pacífico. “Não há espaço para ódio neste país. O ódio distorce a mente, destrói o coração e devora a alma”.

Patrick Crusius, suspeito de ter matado 20 pessoas em um ataque a tiros numa loja do supermercado Walmart de El Paso, no Texas, no sábado (3), recebeu uma única acusação de assassinato no domingo (4).

A acusação é provavelmente uma estratégia legal para manter Crusius sob custódia até que mais acusações possam ser feitas contra ele por cada um dos mortos e feridos. Vinte e seis ficaram feridos.

Um promotor disse que vai buscar a aplicação da pena de morte contra ele, caso seja considerado culpado. As autoridades federais tratam o massacre de El Paso como caso de terrorismo doméstico.