Ex-aliado de Netanyahu, Liberman será a chave para evitar novo impasse político em Israel

Com o atual cenário da política israelense, o fiel da balança deve ser o partido laico conservador, Israel Nossa Casa, do ex-chanceler Avidgor Liberman, que rompeu com Netanyahu em abril por discordar da aliança do premiê com os partidos religiosos e provocou a convocação de novas eleições.

Após a divulgação das pesquisas, Liberman afirmou que há apenas uma opção para o país: um governo de unidade entre o seu e os dois maiores partidos. Em um discurso a seus apoiadores, Liberman disse que a única opção para os dois maiores partidos seria se juntar a ele em coalizão ampla e secular que não ficasse sujeita às demandas dos partidos judeus ultraortodoxos.

Segundo o New York Times, se o resultado for ao menos similar às projeções de Liberman, isso abrirá caminho para complicadas negociações.

Após as eleições de abril, Netanyahu ficou a um passo de formar maioria no Parlamento, mas foi barrado pela resistência de Liberman, seu ex-ministro da Defesa. Liberman rompeu com Netanyahu por ser contra um cessar-fogo com o Hamas na Faixa de Gaza e, para se juntar novamente à sua coalizão, exigiu a aprovação de uma lei que obrigue os ortodoxos a prestar serviço militar, proposta rejeitada por legendas religiosas.

O aparente impasse prepara o cenário para um período prolongado de incertezas e manobras políticas complicadas, com Netanyahu em uma posição de barganha relativamente mais fraca. Os partidos podem ser forçados a um governo de ampla unidade, como propôs Liberman, mas essa alternativa poderia excluir Netanyahu.

Enquanto Liberman se recusa a participar de qualquer coalizão que inclua partidos religiosos que tradicionalmente apoiam o premiê, Gantz, ex-chefe de gabinete militar, descartou a possibilidade de sentar-se com um Likud liderado por ele em um momento em que o primeiro-ministro deve ser indiciado por acusações de corrupção nas próximas semanas.

O procurador-geral de Israel recomendou apresentar acusações criminais contra Netanyahu em três casos separados de corrupção, enquanto aguarda uma audiência de pré-julgamento, programada para o próximo mês. Sem imunidade, Netanyahu estaria sob forte pressão para se afastar.