Filme conta a história centenária do Kibutz

O kibutz, uma das mais originais e fascinantes experiências sociais criadas no século 20, completou 100 anos em 2010. Criado ainda antes da fundação do Estado de Israel, era uma comunidade agrícola em que todas as propriedades e meios de produção eram coletivos. Alterou sua face, em resposta às grandes mudanças políticas e sociais das últimas décadas, mas continua vivo e vibrante, como mostra o documentário: ‘Inventing Our Life: The Kibbutz Experiment’ [Inventando a nossa vida: o experimento do Kibutz], da norte-americana Toby Freilich, lançado no ano passado.

A produção é inspirada, em parte, na vida da diretora, que tem viva na memória a mudança de sua irmã mais velha para um Kibutz, no final dos anos 1960, e a surpresa que o kibutz lhe proporcionou, na adolescência, ao visitar esta irmã.

Em 2006, a própria Toby se mudou para Israel, e percebeu que a história dos Kibutzim se cruzava em vários pontos com a história do país. Este foi o grande motivador de sua obra, juntamente com o interesse pelas mudanças ideológicas que os kibutzim enfrentaram. Veja na primeira parte de trechos selecionados do documentário, no site Tabletmag. 

O surgimento do kibutz é intimamente ligado à imigração judaica do Leste europeu e da Rússia, composta de jovens que acreditavam que o socialismo poderia resolver o ‘problema judaico’. A então Palestina foi o destino escolhido, e o movimento tomou forma e força, junto com a ideologia sionista. Veja na segunda parte.

Os filhos dos moradores do kibutz eram criados de forma coletiva. A educação e todas as tarefas do dia-a-dia eram vividas em conjunto, e as crianças passavam um tempo limitado com suas famílias. Veja na terceira parte

A terceira geração dos kibutzim mostra mudanças tanto na sua estrutura como nas relações internas. Os pais mudaram sua postura quanto à educação coletiva dos filhos e começaram a criá-los em casa. O papel da mulher também foi uma questão de atrito: elas afirmavam que tinham se tornado “mães coletivas”. Também foi relevante a grande quantidade de pessoas que saíram dos kibutzim. Veja na quarta parte.

Na parte final do documentário a diretora mostra que, assim como a sociedade israelense mudou muito desde a fundação de Israel, o movimento kibutziano também passou por este processo. Os kibutzim tiveram que se reciclar para continuar existindo. 

De qualquer forma, Toby mostra que eles não perderem a força. Ela perguntou uma vez: “Se o kibutz mudou tanto, por que ainda se chama kibutz?” A resposta: “Por que você se chama de judia?”.

”Eles têm muito orgulho da própria palavra kibutz, e isso me mostrou seu lado mítico e seu status”, concluiu Toby. Ouça entrevista com a diretora.