Filósofo francês avalia antissemitismo nas manifestações dos ‘coletes amarelos’

As manifestações antissemitas ocorridas recentemente em meio ao movimento dos ‘coletes amarelos’ desmoralizam os judeus franceses e envergonham a França, avalia o filósofo francês Bernard Henry Levy, que participou da recente Convenção Anual da Conib (veja matéria).

Lévy lembra que há quatro anos um milhão de franceses saíram às ruas de Paris para protestar contra o extremismo. Silenciosos, os manifestantes, carregavam cartazes com frases como “Sou Charlie”, “Sou policial” e “Sou judeu”. A chamada Marcha Republicana, como ficou conhecida, ocorreu em 11 de janeiro de 2015, em meio ao luto nacional, depois que militantes islâmicos mataram 12 pessoas na revista satírica Charlie Hebdo e, dois dias depois, outras quatro pessoas no Hyper Cacher.

Essa marcha foi “algo que nunca vimos antes na França e talvez em nenhum outro lugar do mundo”, lembrou Levy. “Essa unidade nacional, esse sentimento de fraternidade, essa disposição dos parisienses de irem às ruas foi uma espécie de milagre”, disse. Em declarações ao site JTA, ele disse que esperava que aquele movimento trouxesse mudanças na sociedade francesa. “As mudanças não aconteceram e o espírito e os ideais da marcha foram traídos”, por outra onda de manifestações, que, segundo ele, têm se caracterizado por atos de violência contra a polícia e discursos de ódio antissemitas. “Em vez de um milhão de pessoas nas ruas (contra o radicalismo), temos hoje milhares de homofóbicos, xenófobos,  anti-republicanos, anti-jornalistas e algumas vezes antissemitas”. “Para esses manifestantes, é como se os banhos de sangue nunca tivessem acontecido”, disse Levy, que deve falar no dia 13 de fevereiro no centro comunitário judaico de 92Y em Nova York sobre essas e outras questões.

Esses casos, assim como os slogans e cânticos antissemitas ocorrem “às margens” do movimento dos ‘coletes amarelos’, segundo afirma o Escritório Nacional de Vigilância Contra o Antissemitismo. No entanto, esses atos têm sido uma característica desse movimento desde a sua criação, disse o fundador da agência, Sammy Ghozlan, à JTA.

“De acordo com todos os indicativos que temos, a prevalência do antissemitismo na sociedade francesa só piorou desde 2015”, disse Roger Cukierman, presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França e Vice-Presidente do Congresso Mundial Judaico (Cnaam Liphshiz, Times of Israel).