França homenageia vítimas dos atentados ao Charlie Hebdo e ao Hyper Cacher

O ministro francês do Interior, Christophe Castaner, e a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, prestaram homenagem nesta segunda-feira (7) às vítimas dos atentados terroristas de 2015 à redação do jornal satírico Charlie Hebdo e ao Hyper Cacher, depositando coroas de flores nos locais dos ataques. Os ataques em janeiro de 2015 causaram a morte de 17 pessoas – 12 redatores e cartunistas do Charlie Hebdo, quatro judeus no Hyper Cacher e uma policial.

Há quatro anos, os irmãos Saïd e Cherif Kouachi, dois radicais islâmicos, entraram na redação do jornal disparando tiros de AK-47 contra jornalistas e chargistas presentes, incluindo o ex-diretor de redação, Charb. Após esse ataque, um deles fugiu fazendo reféns no Hyper Cacher. Uma policial e quatro judeus morreram no cerco policial ao local.

O ataque ao jornal suscitou debates sobre a liberdade da expressão na França que, segundo os dirigentes da publicação, vive um retorno do obscurantismo.

Para lembrar os quatro anos do ataque, a revista lançou durante o fim de semana uma edição especial que chegou às bancas no sábado (5). Fiel a seu estilo provocador, a publicação trouxe em sua capa as imagens de um bispo e de um ímã sobre um fundo preto. Os dois personagens aparecem soprando a chama de uma vela. Sobre a mesa do desenho, é possível ver a capa do número histórico de 14 de janeiro de 2015, publicado poucos dias depois do atentado. Numa página dupla central sob o título de “O retorno dos obscurantistas”, uma caricatura mostra os “obscurantistas” celebrando o aniversário do ataque: estão lá o Papa Francisco, membros da família da líder de extrema direita Marine Le Pen, Donald Trump e o polêmico escritor Michel Houellebecq. O escritor, autor de best sellers recheados de polêmicas, tinha sua caricatura na capa da edição publicada no dia do atentado.

Em editorial, o semanário lamenta que “há quatro anos, a situação com o totalitarismo islamista só piorou (…), a blasfêmia teve filhos. (…) Tudo agora é blasfêmia”. Segundo Riss, diretor de redação e autor do desenho de capa, não apenas as histórias dos jornalistas e caricaturistas vítimas do atentado foram esquecidas, como também o que significou o ataque. “Temos a impressão de que viramos a página disso, mas, em nossa opinião, esses fenômenos de reações retrógradas continuam presentes, hoje ainda mais que há quatro ou cinco anos”.