Franceses devem ir às ruas hoje em manifestações contra o antissemitismo

Manifestações contra o antissemitismo estão programadas para hoje em várias cidades francesas, depois de uma onda de ataques antissemitas que culminaram no fim de semana com insultos e xingamentos a um dos principais intelectuais da França, Alain Finkielkraut, durante protestos dos “coletes amarelos”.

Alguns dos mais destacados políticos franceses devem participar dos eventos, expressando seu apoio à comunidade judaica na França, que tem o maior número de judeus depois de Israel e dos Estados Unidos.

O ex-presidente François Hollande, o ex-primeiro-ministro Bernard Cazeneuve, o ex-prefeito de Paris Bertrand Delanoe, o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, e a ministra de Assuntos Europeus, Nathalie Loiseau, estão entre os que confirmaram presença nas manifestações.

“Há um movimento (antissemita) na Europa, devemos lutar contra isso e vamos vencê-lo”, disse Loiseau.

O presidente francês, Emmanuel Macron, não confirmou presença nos eventos, mas deve falar sobre o aumento do antissemitismo em jantar, amanhã, organizado pelo CRIF (Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França).

“O antissemitismo está se espalhando como um veneno”, reconheceu o ministro do Interior, Christophe Castaner, na semana passada ao revelar que os incidentes contra judeus tiveram um aumento de 74% no ano passado. Foram 541 casos, contra os 311 ocorridos em 2017, no que Castaner chamou de “ataque à esperança”.

O sociólogo Danny Trom, autor do livro “França sem judeus”, alertou que, por essa razão, milhares de judeus tem deixado a França nos últimos anos. “Esta talvez seja uma guerra de baixa intensidade, mas não podemos esquecer o assassinato de crianças em uma escola”, disse Trom à revista de cultura francesa Telerama, referindo-se ao ataque, em 2012, a uma escola judaica de Toulouse por um extremista islâmico.

“Isso não tem precedentes na história da França”, disse ele, lembrando que “os judeus estão presentes no país desde os primórdios dos tempos” (Yulia Karra, Ynet News).