Gabinete israelense de segurança se reúne pela primeira vez em 2 meses, para discutir ameaça iraniana

O gabinete israelense de segurança se reuniu neste domingo (6) pela primeira vez em dois meses, em meio a advertências sobre a possibilidade de o Irã “orquestrar’ uma ação contra Israel.

A reunião foi realizada no gabinete do primeiro-ministro, em Jerusalém. Os ministros não foram informados com antecedência sobre o que estaria na pauta, segundo informou o canal 12 de televisão.

Nos últimos dias, a mídia israelense citou declarações de autoridades de segurança sobre a ameaça de um ataque orquestrado pelo Irã.

Na sexta-feira, o Canal 13 alertou para preocupações de que Teerã, encorajado pelos ‘sucessos militares’ contra os EUA e a Arábia Saudita, poderia atacar Israel.

Tanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu quanto o presidente Reuven Rivlin mencionaram a necessidade de adoção de medidas importantes no setor de segurança, enquanto se discute a formação de um governo de unidade ampla.

Gabi Ashkenazi, do Partido Azul e Branco, recém-nomeado chefe do poderoso Comitê de Relações Exteriores e Defesa do Knesset, também falou na quinta-feira sobre os “muitos desafios no campo da segurança, alguns conhecidos por todos e outros que são discutidos apenas a portas fechadas”.

Na noite de sábado, o chefe do Israel Nossa Casa (Yisrael Beytenu), Avigdor Liberman, reafirmou seu apelo a Netanyahu e Benny Gantz, do Azul e Branco, em favor da formação de um governo de unidade, citando uma “emergência nacional, desafios econômicos e ameaças à segurança no sul, norte e outras, mais distantes”.

Em um post no Facebook, Liberman lembrou o aniversário de 46 anos da Guerra de Iom Kipur, o conflito mais traumático da história de Israel e no qual o país foi pego de surpresa por seus inimigos, e disse que era imperativo lembrar das lições do passado e priorizar questões de segurança por “amor ao Estado”.

“Estamos em uma encruzilhada política”, escreveu Liberman. “E os resultados das eleições só indicam um caminho: as pessoas querem união. Mais uma vez apelo ao primeiro-ministro Netanyahu e a Benny Gantz para que demonstrem responsabilidade política e liderança, deixem de lado questões pessoais e não desperdicem tempo”, disse ele.

Na quinta-feira (3) na posse do novo Knesset, Netanyahu também pediu um “amplo governo de unidade nacional”, dizendo que os desafios de segurança do país exigem estabilidade política. “Nenhum outro país enfrenta tantos desafios quanto o nosso e as democracias que não entendem essa necessidade de união em momento de perigo acabam pagando um preço muito alto”, disse ele.

“E este não é um capricho meu, não é ‘Netanyahu tentando nos assustar'”, disse ele. “Quem conhece a situação sabe que o Irã está se fortalecendo e atacando em várias partes, e dizendo claramente: ‘Israel desaparecerá’. Eles acreditam nisso, estão trabalhando para isso, precisamos levá-los a sério”.

Ofer Shelah, do Azul e Branco, rebateu as advertências do premier, afirmando: “Não há político mais habilidoso que Netanyahu no uso de questões de segurança para fins políticos. Tudo o que diz tem um objetivo político”.

Netanyahu tentou pressionar o Azul e Branco para se juntar a uma coalizão liderada por ele com o apoio de partidos de direita e ultraortodoxos. Gantz se recusa a fazer parte de uma coalizão com Netanyahu com a participação de partidos de extrema-direita e ultraortodoxos e enquanto o premier enfrenta acusações de corrupção. O Azul e Branco afirmou que um governo de unidade com o Likud poderia ser formado “dentro de uma hora” se Netanyahu deixar o cargo.