Guaidó designa rabino como embaixador venezuelano em Israel

O líder autodeclarado da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou que vai nomear um embaixador em Israel, informou na terça-feira o canal venezuelano de TV VPItv.

De acordo com um tweet da Assembleia Nacional do país, o rabino venezuelano, Pynchas Brener, foi contatado para o cargo. Nascido em 1931, o rabino Brener foi nomeado rabino-chefe da União Israelita de Caracas em 1967, segundo o site da União. Desde 2011, ele mora em Miami.

A Venezuela cortou oficialmente os laços diplomáticos com Israel em 2009, após a Guerra de Gaza de 2008-2009.
No início deste ano, Guaidó afirmou que trabalharia para restaurar as relações entre os dois países.

Depois de emergir como líder da oposição a Nicolas Maduro, Guaidó foi eleito presidente da Assembleia Nacional em dezembro de 2018. O partido da oposição tinha ganho uma maioria de dois terços do congresso em uma votação esmagadora em 2015, assumindo o controle da assembleia pela primeira vez em 16 anos.

O governo de Maduro, no entanto, recusou-se a reconhecer suas decisões.

Em janeiro, depois que Maduro iniciou seu segundo mandato como presidente da Venezuela entre protestos e condenações internacionais pela falta de legitimação democrática, Guaidó invocou uma cláusula na constituição para assumir uma presidência rival.

Ele foi reconhecido por mais de 50 países, incluindo os Estados Unidos e Israel, como presidente da Venezuela.

“Antes do antecessor de Maduro, Hugo Chávez, todo presidente da Venezuela visitou minha casa uma vez ou outra e também visitou minha sinagoga”, disse o rabino Brener em maio em uma entrevista à Providence Magazine, uma publicação americana centrada no cristianismo e na política externa americana.

“Sob Chávez, as coisas começaram a mudar quando o governo começou a fazer alianças com estados como o Irã e atores não estatais relacionados, como o Hezbollah, que historicamente tem sido hostil a Israel e ao judaísmo, e por causa dessas relações o governo de Chávez se tornou mais retoricamente hostil para nós”, acrescentou.

“Esse ambiente cada vez mais hostil é uma das principais razões, além do colapso geral da Venezuela sob o Chavismo, de que os judeus da Venezuela emigraram em grande número para os países vizinhos da América Latina ou para os Estados Unidos, como eu fiz”, disse o rabino. Além disso, acrescentou que cerca de 80% da comunidade venezuelana deixou o país desde que Chávez chegou ao poder.

Se o rabino Brener for nomeado, ele será o primeiro embaixador venezuelano em Israel desde que os laços diplomáticos foram cortados em 2009.

Cerca de 5.000 judeus vivem atualmente na Venezuela.