Hezbollah está operando na Venezuela, diz ex-chefe de segurança de Maduro

O general Manuel Ricardo Cristóvão Figuera, ex-chefe da polícia política venezuelana – SEBIN -, acusou o presidente Nicolas Maduro de chefiar uma “empresa criminosa” na Venezuela, permitindo que o grupo terrorista libanês Hezbollah opere livremente no país.

Cristóvão Figuera, que fugiu da Venezuela para a Colômbia e depois para os Estados Unidos após a fracassada rebelião de 30 de abril, passou para as autoridades americanas detalhes da presença do Hezbollah em seu país.

Em entrevista ao Washington Post publicado nesta segunda-feira (24), ele falou sobre o seu desencanto com o regime venezuelano. “Eu nunca vi uma situação de corrupção como essa no governo”, disse ele. “Logo percebi que Maduro é o chefe de uma empresa criminosa, com envolvimento de sua própria família”, disse Figuera.

Entre os abusos, ele cita o envolvimento de membros da família de Maduro que usam sua influência para comprar e vender ouro para o estado, com grandes lucros; o apoio a grupos terroristas, como o ELN colombiano, e a profunda influência que Raoul Castro tem sobre Maduro, tanto pessoalmente quanto através dos guardas cubanos e conselheiros que cercam o presidente venezuelano.

Além disso, ele afirma ter tido acesso a relatórios de inteligência que afirmam que o grupo terrorista Hezbollah está operando na capital Caracas, nas proximidades de Maracay, e na região da ilha offshore de Nueva Esparta sob a proteção do governo Maduro. A presença é “aparentemente voltada para atividades comerciais ilícitas para ajudar a financiar operações no Oriente Médio”, informou o Post.

Agências de inteligência ocidentais afirmam que o Hezbollah usa o tráfico de drogas na América do Sul para financiar suas atividades no Líbano e em outras partes do mundo.

Um relatório divulgado no início deste mês por especialistas israelenses afirma que membros do Hezbollah atuam como intermediários na rota global de tráfico de drogas da América do Sul para a África Ocidental e de lá para a Europa, ajudando a movimentar centenas de toneladas de cocaína e outras drogas através de portos na Bélgica e na Alemanha e que apenas de 5 a 10 por cento desse contrabando foram interceptados pela polícia.