Holandesa que apoia boicote a Israel deflagra corrida de compras por vinhos israelenses

Como defensora do boicote a Israel, Mieke Zagt não tinha intenção de comercializar vinho israelense quando publicou no Twitter uma foto sobre a venda do produto na rede de supermercados Hema Dutch.

Mas seu tweet, destinado a protestar contra a venda, levou os partidários de Israel a montar uma reação nas mídias sociais tão bem sucedida que os vinhos israelenses se esgotaram na rede  Hema e a campanha se tornou o principal tópico do Twitter holandês na terça-feira.

A foto de abertura da campanha #tipvanMieke foi um tweet que Zagt, acadêmica e colaboradora da Electronic Intifada, com menos de 1.300 seguidores no Twitter, postou na tarde de segunda-feira.

“Ei, Hema, você está vendendo vinho Efrat das Colinas da Judeia, feito em Israel. Isso é possível? Efrat e Colinas da Judeia estão em território palestino ocupado. Efrat é uma colônia israelense ilegal. Você pode verificar a origem? #hema #notAgainAye! ?? “, Zagt escreveu, anexando uma foto das garrafas em questão.

Na realidade, a Efrat Winery é uma das mais antigas de Israel e está localizada em Tsor’a, uma cidade localizada dentro da linha de armistício israelense de 1949. Apesar de seu nome, o vinho não vem de território disputado.

Mas o tweet de Zagt acabou sendo mais do que uma aula de geografia.

Gideon van der Sluis, um consultor de negócios israelense nascido na Holanda, e vários outros defensores pró-Israel começaram a se envolver no Twitter  marcando o tweet de Zagt com a hashtag  “TipFromMieke” (dica da Mieke).  Em 24 horas, ela se tornou o primeiro trending item no Twitter holandês, com pessoas de todo o país usando-o com fotos de garrafas de vinho Efrat recém-compradas.

 

 

Em poucas horas, tanto os vinhos Efrat tintos, assim como os brancos foram vendidos na loja online da Hema – uma enorme rede com 525 lojas somente na Holanda.

A campanha da rede social parece ter se originado com um núcleo de apoiadores de Israel na Holanda – os esforços de van der Sluis para fazê-la decolar foram acompanhados por aqueles de Hidde J. van Koningsveld, que lidera o grupo  estudantil pró-Israel da CiJo. Mas parece ter chegado muito além dos habituais suspeitos da comunidade judaica da Holanda, que soma  cerca de 40.000 pessoas.

Menno de Bruyne, estrategista-chefe do Partido Político Reformado, pediu a um colega que postasse uma foto de Bruyne no escritório com três garrafas de Vinho Efrat.

Sjoukje Dijkstra, jornalista de Utrecht, escreveu no Twitter: “Obrigado pela dica! Direto para Hema!”

Henk Bakboord, dançarino e ativista da Fundação Jimmy Nelson por documentar culturas indígenas, também sarcasticamente agradeceu a Zagt, acrescentando que a loja Hema no bairro de Oostpoort, em Amsterdã, ainda tinha a disposição vinhos Efrat “, mas eles estavam esgotando rapidamente”.

 

Os vinhos começaram a vender ainda mais rápido depois que o Cristãos por Israel, um grupo internacional cuja sede fica nos arredores de Amsterdã, publicou um artigo em seu site e página no Facebook incentivando seus muitos milhares de leitores e apoiadores a comprar a Efrat Wines. (O Cristãos por Israel, que trazem 120.000 garrafas de vinho israelense a cada ano através de sua própria agência de importação, a Israel Products Centre, não se esqueceram de colocar seus próprios produtos em seu artigo sobre o Hema.)

 

Yanki Jacobs, um rabino de Amsterdã que dirige o Chabad no Campus aqui, disse estar “encantado” com o resultado da campanha. “É um prazer ver, apenas alguns dias depois de Purim, algo ruim se transformar em algo bom”, disse ele à Jewish Telegraphic Agency.

 

Mieke Zagt, ao que parece, tinha uma visão diferente de toda essa extravagância.

No Twitter, ela parecia sugerir que as pessoas que zombavam dela estavam envolvidas em “intimidação e difamação”. Seus hacklers, ela acrescentou, “estão mostrando sua real natureza no Twitter”,  o que ela chamou de “muito perturbadora”. Zagt não respondeu ao pedido do JTA para comentar no  Twitter.

A rede Hema se recusou a dizer quantas garrafas foram vendidas, citando sua política de privacidade. Mas eles reconheceram que muitas de suas unidades, bem como a sua loja online, ficaram sem vinho Efrat.

Esther Voet, editora-chefe do semanário judaico holandês da NIW, disse que achou a história divertida. “É hilário”, ela disse à JTA. “Todo mundo começou a comprar vinho israelense”.