Integrante da missão israelense conta como foi a experiência em Brumadinho

Representante do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Raphael Singer, 47 anos, chegou ao Brasil na noite de domingo, 27 de janeiro, integrando a Missão Humanitária enviada por seu país a Brumadinho. O português fluente, falado com um perceptível sotaque espanhol, é resultado de cinco anos passados no Brasil, de 2005 a 2010, a serviço na Embaixada de Israel.

Em entrevista por telefone à Conib, Raphael contou sobre como foi a experiência enfrentada e encerrada nesta quinta-feira, pela delegação em Brumadinho.

“O nosso grupo é formado por soldados da ativa das Forças de Israel, mas também por soldados da reserva. Há engenheiros, advogados, empresários. Temos gente também da embaixada, do Ministério das Relações exteriores.  Quando recebemos a notícia no sábado, em três horas todos nós já estávamos prontos para sair rumo ao Brasil. Quando chegamos, logo tratamos de fazer um levantamento da situação na região, entender as condições e poucas horas depois estávamos todos enfiados na lama”.

Raphael conta que as 16 toneladas de equipamentos trazidos pela delegação de 136 profissionais foi apenas parte do que Israel contou para ajudar no resgate em Brumadinho.

“É natural que os equipamentos chamem a atenção, mas a parte mais importante deste trabalho é o fator humano. É um sistema muito complicado de avaliação da situação e tomada de decisões. Devo dizer que recebemos cooperação total dos brasileiros em diversas frentes. Temos experiência de trabalhar em desastres de grandes proporções.

Ainda assim, ele admite que a situação enfrentada em Brumadinho foi diferente.

“Foi diferente, sim, por causa da lama. Já lidamos com casos de terremotos, tsunamis, atos de terrorismo. Mas Brumadinho apresentou outras condições por causa dessa lama. Então tivemos de atuar de outra maneira na coordenação, no uso dos cães, na avaliação e identificação de áreas e situações. Cada desastre tem características próprias. Mas nos empenhamos para dar a essas pessoas, os familiares das vítimas, um desfecho para angústia que enfrentavam. Viemos para ajudar”.

Para ele, o mais importante a destacar nestes dias passados em Minas Gerais foi apoio recebido dos brasileiros.

“A comunidade judaica brasileira nos ajudou de diversas maneiras: atuando como tradutores e garantindo, com comida, as nossas refeições casher, feitas de acordo com os preceitos judaicos. Os bombeiros, a Defesa Civil, a polícia, a força aérea, o exército, todos foram extremamente cooperativos. Todo o povo brasileiro nos recebeu com muito calor e respeito. Somos gratos por isso”.