Irã adverte que vai enriquecer urânio “em qualquer quantidade que quiser” a partir de domingo

Desafiando as recomendações de países europeus de ‘ponderação’ e de respeito ao acordo nuclear, inclusive da aliada Rússia, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, advertiu hoje a Europa de que seu país “vai dar o próximo passo” no domingo (7) para o aumento de seu enriquecimento de urânio “em qualquer quantidade que quisermos”.

As declarações de Rouhani, feitas após reunião de gabinete em Teerã, aumentam ainda mais a pressão sobre os parceiros europeus para salvar o acordo nuclear de 2015, após a saída dos EUA do pacto, no ano passado.

Se os signatários do acordo nuclear não cumprirem seus compromissos, segundo Rouhani, os níveis de enriquecimento vão além do limite de 3,67% acordado no pacto.

“Nosso conselho para a Europa e os Estados Unidos é voltar ao entendimento e à mesa de negociações”, acrescentou Rouhani. “Voltem ao entendimento, respeitem a lei e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Sob essas condições, todos nós podemos aceitar o acordo nuclear”, advertiu.

Para alcançar os níveis para a produção de armas, o urânio deve ser enriquecido a mais de 90%. Mas de acordo com a forma como o enriquecimento de urânio é processado, uma vez que o Irã atinja 20% de pureza, o salto é relativamente curto para alcançar os 90% necessários para a produção do material usado em bombas nucleares.

Hoje, um alto comandante militar iraniano advertiu que o país possui “armas secretas”. “Nossas armas dissuasoras e secretas pararam o imundo inimigo a 200 milhas de distância (das fronteiras iranianas) no Estreito de Ormuz”, disse o comandante da base de defesa aérea Khatam ol-Anbiya, general Alireza Sabahi Fard, do exército iraniano. “O inimigo sabe muito bem que não deve testar o Irã, pois seu primeiro erro será o último”, advertiu.

Nesta terça-feira, o ministro israelense Israel Katz, que atua também como ministro das Relações Exteriores, disse que Israel está se preparando para um eventual envolvimento caso haja um confronto militar entre Washington e Teerã.
“Deve-se levar em conta que os cálculos equivocados do Irã podem provocar uma mudança da “zona cinzenta” para a “zona vermelha” – isto é, uma conflagração militar”, disse ele à Reuters nesta terça-feira.

“Devemos estar preparados para isso, e assim o Estado de Israel continua a dedicar-se à construção de seu poderio militar para a eventualidade de ter que responder a cenários de escalada”.

Falando à emissora do Exército no final do dia, Katz advertiu que enquanto as sanções impostas por Washington poderiam impedir um confronto, Israel poderia agir unilateralmente para impedir que o Irã obtivesse uma arma nuclear.

“O Irã não tem chance numa eventual guerra”, disse ele. “Portanto, há uma oportunidade, através da pressão econômica e das sanções, para impedir a guerra, para alcançar os objetivos sem guerra”.