Israel confirma: Rashida Tlaib e Ilhan Omar serão impedidas de ir ao país

Israel não permitirá que as congressistas norte-americanas Ilhan Omar (D-Minnesota) e Rashida Tlaib (D-Michigan) entrem no país por causa de sua defesa do BDS, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na quinta-feira.

Netanyahu divulgou um comunicado dizendo que nenhum país do mundo respeita mais o Congresso dos EUA do que Israel, mas que a lei do país proíbe a entrada daqueles que pedem um boicote a Israel. Ele disse que outros países também – incluindo os EUA – impedem a entrada daqueles que são vistos como querendo prejudicá-los. Ele disse que Israel é uma “democracia vibrante e livre” que está aberta a todas as críticas, com exceção de ligação com boicotes.

“As parlamentares Tlaib e Omar são líderes ativistas na promoção da legislação do boicote contra Israel no Congresso dos EUA”, disse Netanyahu.

Ele disse que Israel recebeu seu roteiro apenas alguns dias atrás, e ficou claro que elas estavam “planejando uma campanha cujo único propósito era fortalecer o boicote e minar a legitimidade de Israel”.

Ele ressaltou que elas se referiram à viagem como uma visita à “Palestina”, e não a Israel, e – ao contrário de todos os outros representantes democratas e republicanos no passado – não solicitaram nenhuma reunião com representantes oficiais israelenses, seja do governo ou da oposição.

Netanyahu disse que a ONG que está patrocinando a viagem – Miftah – é uma fervorosa defensora do BDS e inclui membros que apoiaram o terrorismo contra Israel.

Netanyahu disse que a decisão de proibir a entrada foi feita pelo Ministro do Interior, Aryeh Deri, e que ele apoia a decisão.

Em 2017, o Knesset aprovou uma lei anti-BDS que impede que ativistas estrangeiros do movimento entrem em Israel. A lei, no entanto, só foi implementada esporadicamente.

Deri também emitiu uma declaração sobre o assunto, dizendo que as mulheres do Congresso usam suas posições para apoiar organizações que defendem boicotes a Israel.

“O Estado de Israel respeita o Congresso dos EUA, como parte da estreita aliança entre os dois países, mas é inconcebível que qualquer um que pretenda prejudicar o Estado de Israel seja autorizado a entrar”, diz a declaração.

Deri deixou claro que se Tlaib, que tem família na Cisjordânia, solicita a entrada por razões humanitárias para se reunir com sua família – sujeita às devidas obrigações – ele consideraria.

As declarações de Netanyahu e Deri foram feitas logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter exortado publicamente Israel a proibir as duas legisladoras – as duas primeiras mulheres muçulmanas no Congresso – twittando: “Israel mostraria grande fraqueza se permitisse a visita de Omar e Tlaib. Elas odeiam Israel e todo o povo judeu, e não há nada que possa ser dito ou feito para mudarem de idéia. Minnesota e Michigan terão dificuldade em colocá-las de volta no cargo. Eles são uma desgraça!”

Mais cedo, a vice-chanceler Tzipi Hotovely já confirmara que Israel não permitiria a entrada das congressistas norte-americanas no paí.

“Israel decidiu”, disse ela. “Não permitiremos que as congressistas entrem no país. Não permitiremos que qualquer pessoa que negue nosso direito de existir no mundo entre no país. Em princípio, esta é uma decisão muito correta”.
O ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, disse que apoia a proibição “devido ao seu apoio ao boicote ao Estado de Israel, ao terrorismo contra Israel e à redução do Holocausto”.

“Além disso, a planejada visita que elas prepararam é inteiramente voltada para provocação e incitamento contra o Estado de Israel, e não para estudar as atividades do Estado de Israel”, disse ele. “Um estado de respeito não permite que aqueles que prejudicam sua existência entrem em suas fronteiras”.

O número dois do partido Azul e branco, Yair Lapid criticou a decisão, dizendo que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sabe que é um erro.

“Netanyahu sabe que é um erro não deixá-las entrar”, disse Gantz à Rádio Reshet Bet. “Ele lida com a política interna em vez do que é bom para o Estado de Israel. Isso criará uma crise com o Partido Democrata”.