Israel e Estados do Golfo negociam “pacto histórico”

O Canal 12 de TV israelense revelou que Israel e Estados do Golfo estão negociando um “pacto histórico” de não-agressão e que incluiria outros acordos de cooperação e de aproximação, além de “formas de lidar com a ameaça iraniana”.

Segundo a emissora, avanços nesse sentido foram feitos pelo ministro israelense das Relações Exteriores, Israel Katz, com chanceleres de países árabes do Golfo durante encontros à margem da Assembleia Geral da ONU, no mês passado.

O pacto prevê relações amistosas, cooperação em vários campos e um compromisso de não-agressão mútua.

O próprio Katz, no dia 23 de setembro, tuitou que mantinha conversas com um colega não identificado de um país árabe com o qual Israel não mantém relações formais e disse que discutiram “maneiras de lidar com a ameaça iraniana” e um processo para impulsionar a “cooperação civil”.

Katz, que lidera o esforço com o apoio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, concordou com seus interlocutores árabes do Golfo durante “uma série de reuniões” em Nova York para formar equipes de trabalho para levar adiante o pacto de não-agressão, segundo informou a emissora.

Katz apresentou a seus colegas do Golfo um texto preliminar do pacto, elaborado pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel, informou a reportagem da TV. No texto, elaborado de acordo com os princípios do direito internacional, ele destaca a oportunidade de promover interesses comuns no contexto da ameaça representada pelo Irã.
Katz também teria discutido o pacto com o enviado especial do governo Trump para o processo de paz, Jason Greenblatt.
Enquanto Israel procura ampliar suas relações diplomáticas com os estados da região além de seus dois parceiros de paz, Egito e Jordânia, a iniciativa do pacto de não-agressão decorre do reconhecimento de Israel de que relações completas com os estados do Golfo podem não ser possíveis, a menos ou até que o conflito israelo-palestino esteja resolvido, segundo a emissora. O acordo constituiria um documento “histórico”, pondo fim ao “estado de conflito” entre esses estados do Golfo e Israel, segundo a emissora.

O esboço das cláusulas inclui compromissos de desenvolver “relações e cooperação amistosas”, de acordo com a Carta da ONU e o direito internacional; impedir hostilidade ou incitação à hostilidade um contra o outro; e evitar qualquer aliança militar ou de segurança com outras partes umas contra as outras.

Entre outros elementos, segundo a reportagem da TV, o texto preliminar especifica a cooperação na luta contra o terror e na promoção de interesses econômicos.

Katz, que também é ministro da Inteligência, já se reuniu com altas autoridades árabes por pelo menos duas vezes: no início de julho, ele se encontrou com um alto funcionário dos Emirados durante visita à cidade de Abu Dhabi. No final daquele mês, ele compartilhou uma foto com o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Khalid bin Ahmed Al Khalifa, durante evento organizado pelo Departamento de Estado dos EUA em Washington. O episódio marcou o raro caso em que uma alta autoridade árabe se deixa fotografar ao lado de uma personalidade israelense de destaque.

Em novembro de 2018, Katz viajou para Omã para participar de uma conferência internacional. “Na minha opinião, a cooperação entre Israel e os Estados do Golfo pode e deve ser ampliada”, disse ele na ocasião. “Israel também tem muito a oferecer em questões de dessalinização e irrigação da água, agricultura e medicina”.

Em seu discurso na ONU no mês passado, Katz enfatizou que Israel “tem uma política clara para promover laços e normalização com os Estados árabes do Golfo. “Não temos conflito com os Estados do Golfo e temos interesses comuns no campo da segurança contra a ameaça iraniana, bem como no desenvolvimento de muitas iniciativas civis conjuntas”, disse ele.

“Israel possui muitas capacidades em várias áreas, incluindo alta tecnologia, inovação, agricultura e tecnologia da água, que podem ajudar os estados do Golfo, e os Estados do Golfo têm muitas capacidades que também podem ajudar Israel”, destacou Katz. “Espero que essa cooperação leve à assinatura de acordos de paz entre nossos países, como fizemos com o Egito e a Jordânia”, acrescentou.