Israel emite alerta máximo para possíveis novos ataques no Sri Lanka

Quatro dias depois dos atentados suicidas de domingo de Páscoa, em que 359 pessoas morreram e outras 500 ficaram feridas, o Departamento israelense de Combate ao Terrorismo alertou os israelenses para que deixem o Sri Lanka e cancelem viagens programadas para esse país.

O Escritório de Contraterrorismo do Conselho de Segurança Nacional de Israel divulgou nesta quinta-feira um alerta máximo para que se evitem viagens ao Sri Lanka, avisando que há chances “altas e concretas” de novos ataques terroristas nesse país, especialmente na capital, Colombo. A decisão de emitir a advertência foi tomada após consultas com autoridades de segurança e o Ministério das Relações Exteriores.

Hoje, as autoridades do Sri Lanka proibiram a circulação de drones e aeronaves não tripuladas e mantêm as buscas a objetos, como malas e mochilas, suspeitos de carregarem explosivos.

Os ataques de domingo de Páscoa a igrejas e hotéis deixaram 359 mortos e 500 feridos. A maioria das vítimas era cidadãos do Sri Lanka, mas o Ministério das Relações Exteriores confirmou que 36 estrangeiros morreram nos ataques. Os restos mortais de 13 foram repatriados. Há ainda 12 estrangeiros internados com ferimentos em hospitais de Colombo.

Um alto funcionário do Sri Lanka disse que muitos dos homens-bomba eram altamente qualificados e vinham de famílias abastadas.

O ministro da Defesa, Ruwan Wijewardene, disse que pelo menos um deles é formado em direito e outros podem ter estudado no Reino Unido e na Austrália.

O primeiro-ministro australiano Scott Morrison disse que um dos homens-bomba esteve no país com visto de estudante com esposa e filho em 2013.

Uma autoridade de segurança britânica também confirmou que outro suspeito estudou no Reino Unido entre 2006 e 2007. A autoridade de segurança, que falou sob condição de anonimato, disse que a inteligência britânica não monitorou Abdul Lathief Jameel Mohamed durante a sua estadia no país. Seu nome foi relatado pela primeira vez pela Sky News.

Líderes do governo do Sri Lanka reconheceram que algumas unidades de inteligência estavam cientes de possíveis ataques terroristas contra igrejas ou outros alvos semanas antes dos atentados. O presidente pediu a renúncia do secretário de Defesa e do chefe da polícia nacional sem anunciar os nomes dos substitutos.

As autoridades culparam um grupo extremista local, o National Towheed Jamaat, cujo líder, chamado de Mohammed Zahran ou Zahran Hashmi, se tornou conhecido dos líderes muçulmanos há três anos por seus incendiários discursos on-line. Ontem, o ministro da Defesa, Ruwan Wijewardene, disse que os agressores se afastaram do National Towheed Jamaat e de outro grupo, que ele identificou apenas como “JMI”.

O grupo do Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelos ataques. As autoridades investigam se grupos locais tiveram apoio de organizações terroristas internacionais. O porta-voz da polícia, Ruwan Gunasekara, disse que 58 suspeitos foram detidos desde os atentados.