Israel esteve perto de atacar o Irã e risco ainda persiste, diz NYT

Em 2012, Israel esteve bem perto de atacar instalações nucleares do Irã para impedir o país de desenvolver armas atômicas, segundo informou nesta quarta-feira o jornal New York Times.

Sob o título “The Secret History of the Push to Strike Iran”, o jornal detalha os passos dos presidentes Barack Obama e George W. Bush para impedir Israel de realizar uma ação no Irã, o que teria evitado um ataque.

O jornal também aborda o que levou o presidente Donald Trump a se retirar do acordo nuclear assinado com o Irã em 2015 e o que isso representa para o futuro do triângulo Irã-Israel-EUA.

Entre 2009 e 2013, o Irã era suspeito de desenvolver armas nucleares secretamente e ameaçava publicamente destruir Israel. Em resposta, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu colocou a ameaça iraniana como questão prioritária, ameaçando constantemente impedir o Irã de desenvolver uma bomba. O possível ataque ao Irã foi objeto de cobertura diária dos jornais israelenses, e foi manchete no The Atlantic em 2010.

O ataque, segundo o jornal, quase aconteceu em 2012. Já em 2009, quando grandes protestos da Revolução Verde estavam abalando o Irã, Netanyahu sugeriu às autoridades americanas que um ataque poderia destruir o programa nuclear iraniano e ajudar a desestabilizar o regime. Mas no final de 2010, Israel não estava pronto para atacar, segundo o NYT.

Em 2012, isso parecia ter mudado. Os Estados Unidos detectaram drones israelenses decolando do Azerbaijão para espionar o Irã e viram grupos de aviões israelenses se preparando para um ataque. Naquele ano, o então ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, cancelou um exercício militar conjunto entre EUA e Israel, para evitar envolver Washington num conflito diante de um possível ataque israelense. Michael Oren, que serviu como embaixador de Israel nos EUA, dormiu com o telefone ao pé do ouvido, pronto para acordar e alertar a Casa Branca sobre uma ação israelense, diz o jornal.

Então, por que Israel não executou o ataque?

Um motivo pode ter sido a forte oposição americana à ideia – mas não apenas do presidente Obama. Netanyahu criticou Obama por ter sido excessivamente moderado com relação ao Irã. Mas o presidente Bush também se opôs a um ataque tanto quanto Obama – e foi ainda mais direto com os israelenses. Em uma reunião de 2008 com o antecessor de Netanyahu, Ehud Olmert, e Barak, Bush interrompeu quando Barak defendia um ataque ao Irã. “Ele bateu na mesa, afirmando: ‘General Barak, você sabe o que isso significa?'”, afirmou o jornal.

Durante o primeiro mandato de Obama, de acordo com a oficial do Departamento de Estado Wendy Sherman, os Estados Unidos disseram a Israel “por favor, não ative o gatilho e inicie uma guerra”. Como um ataque israelense parecia cada vez mais próximo, as autoridades americanas adotaram a estratégia de enviar constantemente um alto funcionário a Israel, mantendo uma ‘porta aberta’ para se inteirar das decisões israelenses.

Mas os americanos também fizeram seus próprios preparativos para um ataque ao Irã. Os EUA chegaram a construir, no oeste do país, um modelo em grande escala de uma instalação iraniana de enriquecimento de urânio que está embutida em uma montanha. Os americanos então detonaram uma bomba de 30.000 libras em seu próprio solo para testar a destruição do suposto local nuclear.

Netanyahu teria atacado o Irã se tivesse tido apoio popular. O que acabou evitando um ataque foi a oposição interna em Israel, afirma ainda o jornal. Entre os oponentes à ideia estavam Meir Dagan, chefe do Mossad, agência de inteligência de Israel; Yuval Diskin, chefe da Agência de Segurança de Israel, ou Shin Bet; e Gabi Ashkenazi, chefe das Forças de Defesa de Israel. O sucessor de Ashkenazi, Benny Gantz, também se opôs a uma greve. Ele agora está concorrendo contra Netanyahu nas eleições realizadas em menos de duas semanas.

As ameaças de Netanyahu podem ter ajudado a levar os EUA a buscar um acordo com o Irã. À medida que as negociações dos EUA com o Irã avançavam em direção a um acordo durante o segundo mandato de Obama, Netanyahu se articulou se opondo à assinatura do pacto iminente em quase todas as oportunidades. Ele chegou ao ponto de fazer um controverso discurso no Congresso dos EUA criticando o acordo com o Irã.