Israel pede ao Ocidente que condicione a ajuda ao Líbano à saída do Hezbollah do governo e à retirada de seus mísseis do país

Autoridades israelenses voltaram a pedir aos EUA e países europeus que suspendam a ajuda ao Líbano para exigir a saída do Hezbollah do governo e a retirada dos mísseis do grupo do país, segundo informou uma fonte do governo israelense.

Mesmo antes dos recentes protestos no Líbano, Jerusalém já havia pedido aos EUA e à Europa que não prestassem qualquer ajuda a Beirute, enquanto a milícia xiita apoiada pelo Irã fizer parte do governo e manter um arsenal de mísseis estacionados no país, disse uma autoridade.

Com a crise política não mostrando sinais de redução no Líbano, as autoridades israelenses reafirmaram o pedido nesta quarta-feira (30), enfatizando a necessidade de os países condicionarem qualquer ajuda ao compromisso do governo de Beirute de se livrar das armas avançadas do Hezbollah estacionadas no país.

“Em conversas discretas com várias capitais, deixamos claro que qualquer ajuda destinada a garantir a estabilidade do Líbano precisa estar condicionada à retirada dos mísseis guiados de alta precisão do Hezbollah”, disse um alto funcionário, sob condição de anonimato. “Qualquer coisa menos que isso será problemático, a nosso ver”.

O Ministério das Relações Exteriores ordenou que diplomatas israelenses “em todos os países relevantes”, incluindo Estados Unidos e nações europeias, enfatizem a necessidade de deixar de fornecer ajuda ao Líbano enquanto a organização terrorista não parar de aperfeiçoar suas capacidades militares que poderiam ter como alvo Israel, acrescentou o funcionário.

Jerusalém tem o cuidado de não se envolver na política doméstica libanesa, enfatizou o funcionário, observando que quaisquer declarações das autoridades israelenses podem ter efeitos negativos.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, nesta semana, alertou várias vezes que o Irã estava tentando colocar mísseis na região para poder atingir Israel e outras áreas.

“O Irã quer usar o Iraque, Síria, Líbano e Iêmen como bases para atacar Israel com mísseis guiados com precisão”, disse o funcionário. “Esse é um grande, grande perigo”, alertou.

Na terça-feira, o primeiro-ministro libanês Saad Hariri renunciou ao cargo, vários dias depois de uma onda de protestos em todo o país contra o alto custo de vida e a corrupção generalizada no governo. Os apoiadores do Hezbollah reprimiram com violência as manifestações, atirando e matando manifestantes.