Israel permite entrada de deputada americana para visitar a família, mas ela recusa

A parlamentar democrata Rashida Tlaib mudou de ideia nesta sexta-feira de ir à Cisjordânia, horas depois de Israel ter dito que permitiria que ela visitasse parentes no território palestino por motivos humanitários.

A reviravolta foi a mais recente de uma série de manobras, tanto de Tlaib quanto de Israel, e ocorreu um dia depois de Jerusalém ter anunciado que impediria que ela e a deputada Ilhan Omar, viajassem na condição de congressistas dos Estados Unidos.

No Twitter, Tlaib, que é defensora do BDS e acusada frequentemente de antissemitismo, postou uma foto de sua avó e disse que o acordo de Israel para permitir que ela a visite apenas sob certos termos foi humilhante. Ela afirmou que não iria “curvar-se às suas políticas opressivas e racistas”.

“Silenciar-me e tratar-me como uma criminosa não é o que [minha avó] quer para mim. Isso mataria um pedaço de mim. Decidi que visitar minha avó nessas condições opressivas é contra tudo o que acredito – lutar contra o racismo, a opressão e a injustiça”.

Seus comentários vieram depois da decisão do ministro do Interior, Aryeh Deri, de permitir que ela fosse à Cisjordânia, após ela ter enviado uma carta pedindo permissão para entrar, apesar da proibição, citando sua avó idosa.
Em resposta ao anúncio de Tlaib, Deri tuitou: “Aparentemente [seu pedido] foi uma provocação para fazer Israel ficar mal. Seu ódio por Israel é maior que seu amor por sua avó”.

Deri, que tuita quase inteiramente em hebraico, também publicou seu tweet em inglês e marcou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que verbalizou sua oposição a Israel permitir que ela entrasse no país.
Anteriormente, uma autoridade diplomática sênior anônima havia se gabado de que Tlaib “foi forçada a se render aos termos estabelecidos por Israel”.

“Eu gostaria de solicitar a entrada de Israel para visitar meus parentes e especificamente minha avó, que está na casa dos 90 anos e mora em Beit Ur al-Fouqa”, escreveu Tlaib em sua carta a Deri. “Esta pode ser minha última oportunidade de vê-la. Respeito quaisquer restrições e não promoverei boicotes contra Israel durante a minha visita”.

Ao anunciar sua reviravolta, Tlaib disse que enviara a carta a Deri por ter desmoronado depois de ler a decepção da avó ao ouvir que ela não estava indo.

Uma declaração do escritório de Deri na manhã desta sexta-feira disse que ele havia decidido permitir a congressista no país com base em sua carta. Ele disse que expressava esperança de que ela cumpriria sua promessa e que a visita seria apenas para necessidades humanitárias.

Mas, depois que foi revelado que ela havia concordado com os termos de Israel, Tlaib enfrentou uma enxurrada de críticas de grupos palestinos por se render a Israel.

“O que é verdadeiramente perturbador é que @RashidaTlaib caiu nessa armadilha e aceitou se rebaixar e rastejar”, tuitou Nour Odeh, alta funcionária da ONG palestina Miftah. Foi dito que Miftah estaria co-patrocinando a viagem de Tlaib e Omar a Jerusalém e à Cisjordânia.