Justiça argentina decide hoje se Menem é culpado de dificultar investigação sobre ataque à AMIA

A Justiça argentina vai decidir hoje se o ex-presidente Carlos Menem, seu chefe de inteligência, Hugo Anzorreguy, o ex-juiz Juan José Galeano e outras 10 pessoas são culpados da acusação de acobertamento das investigações sobre o atentado que matou 85 pessoas e deixou mais de 300 feridos na sede da organização judaica AMIA, em 1994, em Buenos Aires.

“Esperamos que todos sejam considerados culpados. Para nós, este julgamento é tão significativo como a investigação sobre o ataque porque ainda não nos permitiram saber a verdade”, disse Adriana Reisfeld, presidente de uma organização das famílias das vítimas que é parte do processo.

Os promotores pedem uma pena de prisão de quatro anos para Menem, que que foi presidente da Argentina, de 1989-1999. Aos 88 anos, espera-se que Menem esteja no tribunal Comodoro Py, de Buenos Aires nesta quinta-feira, quando será lida a sentença.

O advogado de Menem explicou ao tribunal, em 2016, que seu cliente se recusou a revelar segredos de Estado “que poderiam afetar o atual governo, os interesses da nação e a coexistência pacífica com outras nações”. Menem foi condenado a sete anos de prisão em 2013 por violar um acordo internacional sobre comércio de armas. Em 2015, ele recebeu uma sentença de quatro anos e meio de prisão por corrupção, mas foi beneficiado com imunidade parlamentar por ser membro do Senado argentino.

O ex-juiz Juan José Galeano disse em sua defesa que a “investigação do ataque à AMIA foi vítima das lutas internas dos serviços de inteligência”.

Oito ex-funcionários iranianos são acusados de envolvimento no atentado à AMIA, embora nenhum tenha sido levado à justiça. O juiz Alberto Nisman, que investigava o caso, foi morto em seu apartamento em janeiro de 2015, quando se preparava para denunciar no Congresso a então presidente Cristina Kirchner por um acordo feito com o Irã, pelo qual ela se comprometia a favorecer os iranianos envolvidos no ataque em troca de benefícios comerciais à Argentina.