Líbano diz estar pronto para demarcar fronteira marítima com Israel sob supervisão da ONU

O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, disse que o país está pronto para demarcar sua fronteira marítima com Israel, uma medida que poderia resolver uma disputa entre os dois países vizinhos sobre uma área de mais de 300 quilômetros quadrados de águas territoriais ricas em petróleo.

“Estamos prontos para traçar as fronteiras marítimas do Líbano e da Zona Econômica Exclusiva com o mesmo procedimento usado para desenhar a Linha Azul sob a supervisão das Nações Unidas”, disse Berri, em declarações divulgadas pela Agência Nacional de Notícias do Líbano.

A Linha Azul é a fronteira terrestre entre Israel e o Líbano traçada pela ONU depois que Israel se retirou da região em 2000. Beirute contesta parte da fronteira e reivindica uma área conhecida como Monte Dov, em Israel, e, no Líbano, como as Fazendas Shebaa.

Durante reunião nesta terça-feira (23), o major Stefano Del Col expressou otimismo de que a Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) poderia ajudar a resolver a disputa sobre a posse de um trecho triangular de cerca de 860 quilômetros quadrados do Mar Mediterrâneo.

O triângulo se encontra em Rosh Hanikra, na fronteira israelo-libanesa, e se espalha pelas águas cipriotas.

Estima-se que as reservas de petróleo e gás recentemente descobertas nessa área do Mediterrâneo gerem até US$ 600 bilhões nas próximas décadas.

A disputa de longa data ressurgiu no ano passado, quando o Líbano assinou um acordo com um consórcio internacional para iniciar a exploração em alto mar em 2019.

Em resposta, o Knesset avançou com a Lei de Áreas Marítimas, uma legislação que formalizaria a fronteira marítima entre os dois países, e que deu a Israel o direito a um pedaço de mar potencialmente lucrativo.

Tentativas repetidas da ONU e dos EUA para resolver a disputa falharam. No ano passado, Berri rejeitou uma proposta dos EUA apresentada pelo então secretário de Estado Rex Tillerson como “inaceitável”.

No mês passado, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ofereceu a Berri a manutenção da mediação dos EUA, mas o Departamento de Estado não informou sobre qualquer avanço na questão.