Líder da oposição venezuelana alerta para antissemitismo patrocinado pelo Estado

Maria Corina Machado, uma importante figura da oposição venezuelana, alerta que o antissemitismo levou muitos judeus a deixarem a Venezuela.

“Há uma campanha de antissemitismo profunda cuja fonte é Chávez”, explica ela, referindo-se ao ataque de 2009 em que a sinagoga Tiferet Israel de Caracas foi profanada e vandalizada com pichações de “fora judeus”
“Listas com os nomes de membros da sinagoga foram roubadas para perseguir membros da comunidade judaica. Tenho muitos amigos que foram perseguidos, atacados e ameaçados”, diz ela.

“O antissemitismo foi a principal razão que levou à saída de membros da comunidade judaica, devido ao ataque à sinagoga, a empresas de propriedade de judeus e à expropriação pelo regime de fábricas de propriedade de judeus. Nós tivemos um grande êxodo por motivos religiosos. E a religião mais afetada foi a judaica”, disse Machado.

“Está claro que não conseguimos atingir nosso objetivo de acabar com o crime no país”, disse Machado, em entrevista ao Haaretz. Ex-membro do Parlamento, Machado não acredita que seja a hora de levantar uma bandeira branca, ou que não há chance de uma mudança de regime. Esta história é muito mais complexa do que se poderia pensar, diz ela.

“Se isso fosse uma ditadura comum, se houvesse militares corruptos no governo apoiados por Cuba – então este regime teria caído há muito tempo”, diz ela. “Mas um país de crime se desenvolveu aqui, com laços profundos com as redes de contrabando de drogas, com os guerrilheiros colombianos e com o terrorismo islâmico. Há organizações como o Hezbollah e o Hamas que operam na Venezuela e recebem financiamento”, adverte.

Com efeito, diz Machado, a Venezuela é o lar de um sindicato internacional do crime com interesse em se expandir e exercer uma influência também fora do país. “O regime na Venezuela é muito perigoso não só para os países da região, mas para todo o hemisfério ocidental e o resto do mundo democrático”, alerta ela.

Machado observa que Israel – um dos países que apoiaram Guaidó como líder legítimo de seu país, em movimento liderado pelo presidente dos EUA, Donald Trump – está particularmente empenhado em exercer influência para ajudar a Venezuela.

Atualmente, Israel e Venezuela não têm relações diplomáticas oficiais. As relações foram suspensas em 2009, durante o mandato do ex-presidente Hugo Chávez, após o conflito na Faixa de Gaza. Mas Machado acredita que esta situação mudará sob um futuro governo liderado pela oposição.

“Espero que a Venezuela estabeleça relações profundas com Israel, reabra nossa embaixada em seu país e possa receber seu primeiro-ministro”, diz ela.