Líderes políticos israelenses rejeitam projeto de lei para a instalação de câmeras em locais de votação

Um projeto de lei do Likud – partido do premier Benjamin Netanyahu – que propõe a instalação de câmeras em seções eleitorais foi rejeitado por líderes políticos, membros de uma comissão parlamentar, e não deve ir à votação no Knesset.

O projeto foi fortemente criticado como discriminatório contra os eleitores árabes. Os opositores do projeto disseram que a iniciativa representa uma ‘intimidação’ aos eleitores árabes. Doze líderes políticos votaram a favor do projeto e 12 outros se opuseram.

O líder da Lista Árabe Conjunta, Ahmed Tibi, criticou a proposta de Netanyahu: “O primeiro-ministro disse que os árabes estão se reunindo nas urnas e hoje ele a traduziu em uma declaração discriminatória, alegando que os árabes estão envolvidos em fraudes eleitorais”, disse ele.

O ministro da Justiça Amir Ohana, do Likud, disse que todos devem apoiar o projeto, visto que “as câmeras não discriminam”.

“Nos locais de voto, todos são iguais e as câmeras não distinguem entre um tipo de fraude ou outro, apenas registram o que acontece”, disse Ohana. “Qualquer um que se opõe ao projeto de lei é porque ou comete fraude ou se beneficia dela”, destacou.

Nas eleições anteriores, o partido Likud de Netanyahu enviou monitores equipados com câmeras instaladas em suas roupas para vários locais de voto predominantemente árabes. A medida foi interpretada por políticos árabes como ato de ‘intimidação aos eleitores’.

O projeto de lei foi contestado pelo chefe da Comissão Central de Eleições que supervisiona a votação que disse que a introdução de câmeras uma semana antes da eleição do dia 17 pode “levar ao caos”.

O procurador-geral Avichai Mandelblit, que assessora o gabinete em questões legais, também se opôs à legislação, dizendo que ela pode violar as leis que garantem a privacidade dos eleitores.